F. Scott Fitzgerald nasceu em 24 de Setembro de 1896 numa família católica irlandesa, vindo a falecer em Hollywood em 21 de Dezembro de 1940 – uma vida curta, mas que foi suficiente para criar uma das mais valiosas obras da língua inglesa que o século XX viu nascer. Aliás, note-se que as três línguas europeias com maior número de falantes nativos, são o castelhano, com cerca de 400 milhões, o inglês (365 milhões) e o português (215 milhões), têm no continente americano o maior número de falantes. As projecções demográficas calculam que nas próximas décadas o portuguêsultrapasse as demais línguas europeias, dados os elevados índices de natalidade apresentados por Angola, Moçambique e Brasil. No entanto, sendo a língua franca dos nossos tempos, o inglês supera quase os idiomas do mundo. Porém, de uma forma geral, no plano literário, as Américas são uma extensão da Europa – em termos de vendas e de popularidade, Jorge Luis Borges, García Márquez ou Vargas Llosa, ultrapassam os escritores castelhanos; apesar do Nobel de Saramago, Jorge Amado pede meças em termos de divulgação comercial. Scott Fitzgerald é um dos maiores nomes da Literatura anglófona e por isso o lembramos num texto de João Machado.
Francis Scott Key Fitzgerald, escritor, romancista e contista norte-americano, é considerado como tendo sido quem melhor transmitiu para a posteridade a essência do que se convencionou chamarA Idade do Jazz, uma época que cerca da década de 1920, de forte prosperidade económica, dinamismo cultural (destacando-se precisamente o jazz como fórmula musical em ascensão) e que haveria de terminar abruptamente na Grande Depressão de 1929. Foi também a época da Lei Seca e do crescimento do crime organizado. Nasceu em Saint Paul, no Minnesotta, numa família de classe média. Teve uma educação católica até entrar para a Universidade de Princeton, que deixou em 1917, para servir no exército. Desde novo que mostrou inclinação para a literatura, tendo começado a escrever ainda muito jovem. O seu primeiro romance,This Side of Paradise, foi publicado em 1920, na sequência de outras tentativas rejeitadas pelos editores. No mesmo anoTheSaturday Evening Post publicou o contoBernice Bobs Her Hairs, o primeiro de Fitzgerald com o seu nome. Outro conto seu foiThe Strange Case of Benjamin Button, publicado noCollier’sem 1992, e adaptado ao cinema em 2008. Também em 1922 foi publicado o romanceThe Beautiful and Damned, que terá sido inspirado pela sua vida sentimental, incluindo a relação com a sua esposa Zelda Sayre, com quem casara em 1920, após hesitações causadas por problemas financeiros. Em 1925 saiu o romance que é geralmente considerado como a obra mais emblemática de Fitzgerald,The Great Gatsby, a história de um vagabundo que consegue ascender à fortuna e ao poder, mas que acaba vítima das sua contradições, preso como está ao amor por uma mulher. Os dois últimos romances foram Tender is the Night, publicado em 1934 eThe Love of the Last Tycoon, saído em 1941, inacabado e já depois da morte do autor, em 21 de Dezembro de 1940, após uma vida atormentada pela doença da esposa e pelos seus próprios excessos. Fitzgerald escreveu cerca de 150 contos, dos quais cerca de cinquenta terão sido considerados autênticas obras primas. José Rodrigues Miguéis, num texto de introdução à sua tradução deThe Great Gatsby(Editorial Presença), procura salientar que Fitzgerald no meio dos excessos manteve um lado espiritual, que se mantém incorruptível. E que excedeu em muito a craveira de porta-voz da Idade do Jazz, pois “nenhum dos seus coevos pintou com tintas tão humanamente amargas e sedutoras o drama do homem arrastado pela sede de viver e vencer e a desilusão e o fracasso dela decorrentes.” Não será exagero acrescentar que esboçou o naufrágio do indivíduo preso noamerican dreame na sociedade capitalista.