A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Talvez Camões não tenha feito a escolha mais acertada ao designar o seu poema épico por Os Lusíadas (Este que vês é Luso, donde a fama/O nosso Reino Lusitânia chama). A Lusitânia começava a sul do Douro, para onde Portugal se prolongou, mas não onde nasceu. Como sabemos, partiu do Condado Portucalense, sensivelmente ocupando o território Entre-Douro-e-Minho; a língua portuguesa teve o seu berço mais a Norte, na Galiza. Um milénio depois de tudo ter começado estamos à beira dos 300 milhões de falantes de língua portuguesa. Designar por lusofonia este universo não parece ter sido a melhor opção – pelo “equívoco” geográfico referido e porque nesta imensa massa de falantes os «lusitanos» são uma minoria. Mas as coisas são como são. Não podemos corrigir a história e também não faria muito sentido que a designação fosse mudando ao sabor das circunstâncias.
holandeses e nos estados africanos diz-se que com belgas, franceses, alemães ou ingleses, a história teria sido outra. Um olhar por novos estados independentes, colonizados por essas potências mais desenvolvidas, desmente este juízo. Uma língua arrancada ao latim, nascida entre fragas, ribeiros e montes, num recôndito limite da Europa, apertada ente o oceano e a pressão de estruturas culturais mais consolidadas, vai pelos mares adentro, implanta-se por todo o planeta e hoje está à beira de ser o veículo de comunicação cultural de 300 milhões de seres humanos. Na passagem do primeiro milénio, quando a aventura desta língua dava os primeiros passos, essa era o número total de habitantes do planeta. Por mais que nos depreciemos, faz sentido a pergunta – quem teria feito melhor?