Segundo o secretário-geral da ONU existem mais de 400 mil crianças em situação ilegal na Europa.
A UNICEF pede aos países europeus que respeitem os direitos das crianças, que adoptem medidas que protejam as crianças dos riscos que as rodeiam. Pede ainda que qualquer medida seja tomada de acordo com os interesses de cada criança que esteja sozinha, privada do acompanhamento dos pais.
De acordo com as normas vigentes sobre o processo de avaliação do pedido de asilo, para a criança abandonada durante a fuga do seu país, ser concretizada podem passar-se 11 meses.
Durante estes 11 meses as crianças estão desprotegidas, não é possível a reunião da família, não se sabe o que fazem, onde estão. Onde se escondem com medo do exterior, com saudades dos pais e dos seus amigos. O brilhar dos seus olhinhos vai-se desvanecendo com as lágrimas que então derrama.
As crianças têm direito ao asilo internacional, não devem ser mandadas para outro país enquanto decorre a avaliação. Os países em que as crianças se encontram devem dar uma morada estável até a sua legalização estar completa.
A Europol diz que só na Itália se perdeu o rasto a cinco mil crianças. Receia-se que os desaparecidos tenham sido desviados para redes organizadas de tráfico.
Na Suécia desapareceram mil crianças.
De Calais desapareceram 129.
Em Portugal 20% das crianças registadas estão desaparecidas.
Queremos acreditar que nem todas tenham sido apanhadas nas redes de droga, de prostituição infantil ou de tralho forçado.
Muitas destas crianças podem ter sido recolhidas por alguém das suas famílias, mas mesmo assim não se sabe onde estão e o que fazem.
Quando as crianças chegam a um país europeu são registadas para o processo de avaliação da sua situação enquanto criança sozinha, por isso mesmo desaparecidas sabe-se que existem.
São muitas as crianças que fogem da guerra e da fome arriscando a vida ao fazerem a travessia do Mediterrâneo. Já morreram muitas crianças nessa travessia, mas elas tal como os adultos não desistem
As crianças que fazem a viagem sem acompanhantes são obrigadas a trabalhar durante o percurso, o que as expõem a riscos de violência, exploração sexual e trabalho forçado. O que não podem pagar com dinheiro pagam com o corpo.
Algo está a falhar. Os países em que se encontram essas crianças, em lares de acolhimento ou não, não podem desaparecer!
As sociedades não estão a cumprir com o seu dever relativamente à protecção de menores, está a ser escrita mais uma página sobre o sofrimento das crianças…e sobre a imputabilidade dos adultos.