COMO SOFREM AS CRIANÇAS por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim
Durante este fim de semana, foram vários os artigos saídos nos jornais sobre a lista de pedófilos.

As opiniões divergem. Há quem defenda a lista porque os pais têm o direito de saber se perto deles vive algum pedófilo.

É generalizado o sentimento da pouca eficácia do efeito dissuasor da pena cumprida pelos pedófilos.

 Há quem apele a penas mais pesadas e prolongadas no tempo.

E agora, quando já cumpridas essas penas, o agressor deve pertencer a uma lista que pode ser consultada pelos pais, desde que o pedido seja bem fundamentado.

O que é ser bem fundamentado? Quem decide pelo veredito do pedido?

Aos pais é-lhes pedido sigilo absoluto. Quem acredita que este seja respeitado? Infelizmente, no nosso país, os exemplos de fugas de informação vêm todos os dias a público.

Não temos uma cultura de respeito pelo que não deve ser publicamente divulgado.

O que é um pedófilo? É um homem mau? São pedófilos, todos, pelas mesmas razões?

Cada pedófilo é um caso a ser tratado. O pedófilo que viola, mata e torna a violar tem um comportamento que não pode ser confundido com o pedófilo que passa nas escolas, nos bairros para observar as crianças com intenção de se exibir.

A pedofilia é um crime para o qual não há castigo que faça esquecer o sofrimento que acompanhará toda a vida da vítima.

Quantos rapazes, vítimas de abuso sexual, não se sentem incapazes de ter filhos, porque têm medo. Quando a companheira engravida é abandonada ou fica sujeita à violência doméstica.

Conheci um caso de um pedófilo que foi preso durante três anos, após os quais voltou calmamente para casa. Iria reincidir? Não sabemos.

Uma semana depois os pais e os vizinhos avançaram para a casa onde ele vivia, agrediram-no de tal maneira que foi um dos agressores quem chamou a ambulância.

Não concordo com a formação da lista de pedófilos pelas mesmas razões que o ex-procurador-geral da República, Pinto Monteiro. (ver Público de 14 de Março)

As Comissões de Protecção de Crianças e Jovens e a Polícia de Proximidade deverão ter conhecimento para poderem articular com outras instituições e com a família para melhor protegerem a criança em causa, assim como proteger as outras crianças; deverão ter conhecimento da família que já está sinalizada por violência doméstica, por maus tratos às crianças ou aos idosos.

Como sofrem as crianças!

Como sofrem as crianças desde que nascem, desde metidas em água a ferver, desde queimadas no fugão, desde negligenciadas e deixadas sozinhas, desde postas a pedir na rua, desde abandonadas em caixotes do lixo…desde o estar presente quando o pai mata a mãe..

Que penas eficazes, para estes adultos, estão previstas no sentido da sua reintegração na família e na sociedade?

O que está previsto como apoio às famílias e às crianças?

A dor não passa quando o pedófilo é preso. A dor não passa porque há julgamento popular.

A lei vai ser legislada e os seus legisladores vão passar a dormir descansados porque cumpriram com o seu dever de justiça.

A sociedade vai dizer “até que enfim, tiveram coragem”

E as crianças o que vão dizer? Nada porque não têm Voz, nada porque as palavras somem-se no meio das lágrimas e do medo!

Uma sociedade que não sabe proteger as suas crianças é uma sociedade não democrática.

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