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EDITORIAL – O rosto da Revolução

logo editorialPassam hoje 50 anos sobre um dos dias mais tristes que, a todos aqueles que acreditávamos na inevitabilidade da Revolução, nos foi dado viver. Talvez não tenha sido bem assim – No dia 9, quando começaram a circular as primeiras notícias sobre a morte de Ernesto «che» Guevara, não acreditámos – a televisão, as agências noticiosas, os jornais, a rádio e a televisão, não  mereciam a nossa confiança. No dia 10, o clima de preocupação, adensou-se. As primeiras fotos  do corpo do Comandante, estendido sobre uma mesa, olhos abertos, porque quem o matou não o pôde obrigar a temerosamente cerrar o olhar sobre uma inimiga que tantas vezes enfrentara. «São fotografias falsas», dizíamos inconvictamente». Para nós, o «Che» morreu no dia 11, quando fontes que considerávamos insuspeitas, confirmaram que o Comandante fora assassinado na Bolívia. Sem julgamento, um miserável soldado boliviano dera-lhe um tiro no coração.

Na cidade  de Santa Clara, ergue-se um mausoléu onde foram depositados os seus restos mortais. Quem escreve estas linhas, com um outro argonauta e as respectivas companheiras, lemos junto desse monumento a comovedora carta que escreveu a Fidel quando, deixando todos os seus cargos, ia combater pela Revolução noutras paragens. Não vamos aqui discutir, argumentar a favor ou contra,  se a sua teoria do foquismo estava certa ou errada. Amílcar Cabral, num reunião internacional em que ambos participaram, teve a frontalidade  de discordar.

Che era um visionário? Talvez. Mas não porque assumisse ums posição poética face ao pragmatismo do inimigo. Um inimigo que não tem princípios – apenas fins que conduzam à acumulação de capital –  assassinou um homem incómodo e com o seu retrato – t-shirts, quadros, latas de refrigerantes, tem ganho rios de dinheiro.

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