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EDITORIAL: De Pearl Harbor a Hiroxima e Nagasáqui (passando pelo Sinai)

Diário de Bordo - II De surpresa, sem que tenha havido uma formal declaração de guerra, na manhã de 7 de Dezembro de 1941, vagas sucessivas de aviões japoneses, bombardearam a base aeronaval  norte-americana de Pearl Harbor, situada, na ilha de Oabu no Hawai. O ataque das esquadrilhas da  Marinha Imperial Japonesa danificou ou destruiu 21 navios de guerra e 347 aviões, matando cerca de 2400 pessoas e ferindo aproximadamente 2000 (militares e civis). Depósitos de carburante e de munições e armamento foram também inutilizados. O presidente Roosevelt, através da rádio, fez um discurso dramático, salientando o carácter pérfido do governo nipónico e formalizando o estado de guerra entre a nação americana e o Japão – a II Guerra Mundial, que desde à mais de um ano fora desencadeada na Europa passava a travar-se também no Pacífico.

Uma onda de racismo anti-asiático,  percorreu o mundo ocidental, visando sobretudo os japoneses – se tinham os olhos em bico não podiam ser bons. Quando, em 6 e 9 de Agosto de 1945, bombas nucleares destruíram Hiroxima e Nagasáqui, matando duzentas mil pessoas, os rapazes do Enola-Gay foram heróis (não tinham os olhos em bico). Não estamos a desculpar a malandragem de politicos e militares que rodeava o imperador Hirohito – era uma cáfila de bandidos, fascistóides e desumanos. Porém, antes das conclusões, queríamos lembrar aquela manhã de 1967 em que caças israelitas, voando rentes ao mar para não ser detectados pelos radares, destruíram a força aérea egípcia no solo. Não houve declaração de guerra, apenas o pressuposto de que o Egipto se preparava para atacar Israel. Pearl Harbor foi um ataque cobarde, o Sinai uma demonstração da inteligência hebraica; não foi uma acção vil e desonrosa – deram-lhe o nome de «guerra preventiva».

Depois do golpe terrível que para Castela a derrota em Aljubarrota significou, dizia-se por Toledo que fora «uma vitória sem  honra» – Nuno Álvares andara pelas prisões recrutando ladrões, assassinos, alguns condenados à forca, prometendo-lhes a liberdade se lutassem com bravura. Os cavaleiros castelhanos eram desmontados por grupos desses rapazes e o peso das armaduras impedia-os de se levantar. Os «heróis» apanhados nos presídios enfiavam-lhes punhais longos  afiados nas juntas desprotegidas das armaduras… Vitória sem honra? E os famosos trons, canhões em pedra que, por acaso explodiam, matando mais artilheiros do que inimigos – João II de Castela, mandou-nos alguns exemplares para ficarmos em igualdade?

Podíamos escrever centenas de páginas sobre o que pormenores «desonrosos» têm contribuído para as vitórias militares – o papel da Winchester (de repetição) na vitória nortista na Guerra da Secessão americana, a desvantagem que para os soldados franceses, na guerra contra a Prússia, representaram os uniformes azuis e vermelho… A guerra é uma prova de que a mentalidade cavernícola se mantém acesa – o cassete ou o pedregulho foram substituídos por mísseis terra-ar. Como se denunciava aqui há dias num editorial, durante a II Guerra os grandes potentados industriais americanos negociavam com os seus parceiros alemães e vice-versa. A guerra é a prova de que somos racionais, mas não somos ainda pessoas,

Humanidade, compaixão, honra, são palavras de outro dicionário.

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