
A recente votação no Conselho de Segurança da ONU condenando o estado de Israel por continuar a implantação dos colonatos no território palestiniano ocupado é totalmente justa e correcta. Os colonatos são a expressão da política israelita de expulsão dos palestinianos das suas casas e das suas terras, com o objectivo de se chegar a um estado onde só vivam judeus. Quem pode concordar com tal coisa? Só os sionistas extremistas e os que deles se servem para outros objectivos.
Israel é um peão da política norte-americana de controlo do Próximo e Médio Oriente. A geoestratégia e o petróleo comandam essa política. Para os Estados Unidos a ONU tem sido um instrumento que se deve neutralizar quando não serve a sua política. No caso dos palestinianos e de Israel o veto no conselho de segurança foi sistematicamente usado para travar propostas de sanções sobre este.
Entretanto, nesta última votação, o sentido de voto dos Estados Unidos mudou. É lícito perguntar: porque só agora? Terá sido por Barack Obama estar a terminar o seu mandato e, para despedida, ter determinado uma alteração para o voto norte-americano ser mais conforme a sua maneira de pensar?
Donald Trump toma posse daqui a menos de um mês. A sua opinião sobre a ONU não é elevada, como se pode constatar lendo o twit a que podem aceder clicando no link abaixo. Mais, como bom plutocrata que é, conhece o papel que o petróleo ocupa na vida e na política, em todo o mundo. Será que estará disposto a alterar a estratégia que os seus antecessores seguiram até agora?
A situação dos palestinianos foi um dos principais rastilhos, senão o principal, da crise que se vive há muito no Próximo e Médio Oriente. A revolta das populações da região contra o que consideram, com muita justiça, um violentíssimo abuso, mesmo um genocídio, é evidente. A actuação das potências ocidentais apenas tem contribuído para agravar a situação. As pessoas bem informadas e que olham para além dos interesses estreitos, percebem que o fenómeno da propagação do fanatismo religioso, a guerra na Síria, a situação dos curdos, a manutenção de uma monarquia feudal na Arábia Saudita, que agora trava uma guerra no Iémen que se arrisca a ser pior que a da Síria, e outras situações, tal como a da Palestina, são consequência de muitas causas, mas que a actuação das potências exteriores tem sido decisiva, para o lado do desastre. Estará Trump consciente disso? Talvez. Agora que queira modificar a situação no sentido de melhorar a situação dos palestinianos e dos restantes povos, é que temos dúvidas.
http://pt.euronews.com/2016/12/27/trump-onu-e-um-clube-para-as-pessoas-passarem-um-bom-bocado

