
Selecção e tradução de Júlio Marques Mota. Revisão de Francisco Tavares.
O banco Mps, Baldassarri e o bando dos 5%. O procurador de Siena: “A situação é incandescente”
Simone Rodriguez, Mps, Baldassarri e la banda del 5%. – I pm senesi: “La situazione è incandescente”
La Reppublica, 29 Janeiro de 2013
MILÃO – Gianluca Baldassarri e Matteo Pontone, respetivamente, na época chefe de finanças do banco Mps e chefe da filial de Londres do Monte dei Paschi di Siena, eram conhecidos como “o bando dos cinco por cento porque em cada transação era esta a percentagem com que ficavam”. Isto foi revelado no inquérito de Milão sobre a financeira suíça Lutifin, que abrange também um derivado comprado pelo banco MPS ao banco Dresdner Bank, por Antonio Rizzo, antigo funcionário do banco de investimento alemão, ouvido em 13 de Outubro de 2008 pelo Ministério público em Milão.
Os documentos estão agora nas mãos do procurador de Siena. “A situação é explosiva e incandescente, estamos a falar do terceiro grupo bancário italiano,” argumenta o promotor de Siena, Tito Salerno. O ministro da economia, Vittorio Grilli, tenta, ao invés, colocar água sobre a fervura.
Quanto ao inquérito, na acta de audição, Rizzo conta uma reunião que se realizou em 2007 entre ele, o seu superior Lorenzo Cutolo e Massimiliano Pero, que se ocupa no Dresdner da venda de produtos estruturados, durante a qual “Pero defendia com ardor a recompra de um pacote de títulos restruturados do MPS de Londres”.
A operação proporcionou à financeira suiça Lutifin uma comissão de 600 mil euros sobre a recompra de uma security note do banco MPS de 120 milhões. “Nessa altura – conta Rizzo – veio a saber-se que a Dresdner teria pago por esta operação um montante de intermediação à Lutifin. Cutolo ficou surpreendido e disse que era absurdo pagar uma intermediação para um acordo que o Dresdner podia fazer tranquilamente sozinho”. Rizzo explicou seguidamente que soube depois do Natal que, apesar da oposição de Cutolo, o pagamento de Lutifin tinha sido autorizado pelo seu superior, Stefan Guetter. “Falei da coisa com Cutolo que me disse que cada um deve pensar por si próprio sem ter que dizer nada ao organismo de controlo interno do banco. Cutolo disse-me que tinha tentado fazer qualquer coisa mas que com isso tinha arriscado o despedimento”.
Rizzo acrescentou ter exposto, em Março de 2008, o que aconteceu ao organismo de controlo do Dresdner e em seguida de ter ido jantar com Michele Cortese, que estava no comando da venda de produtos financeiros dentro da filial de Londres do Dresdner. “Basicamente disse-me – continuou Rizzo – que, na sua opinião, embora o facto parecesse notório, Pontone e Baldassarre tinham recebido uma comissão indevida da operação através de Lutifin. Também me disse que os dois eram conhecidos como o bando dos cinco por cento, porque em cada operação era essa a percentagem recebida”.
A Lutifin e a Comissão de 600 mil euros. Sobre esta empresa financeira fez-se luz pelo Núcleo da Polícia Tributária de Milão. Os seus administradores são Paul Fabrizio Biaggi, Monica Muto, Paolo Nalesso e Dolicardi Matteo, gestor do restaurante Convivendo de Milão. Biaggi dirigia algumas trinta empresas com operações que, além de Itália, operavam no Luxemburgo, Suíça, Inglaterra e Áustria. Em 18 de janeiro de 2007, a Lutifin teria assinado um contrato de consultoria com a filial de Londres do Dresdner Bank para procurar potenciais investidores para o banco.
“Pelo sucesso da atividade de consultoria – escrevia a Polícia Financeira (Fiamme Gialle) – a Lutifin, recebia uma taxa igual a 0,5% do montante nocional[1] dos títulos cedidos pelo Monte dei Paschi di Siena ao Dresdner Bank”. A Lutifin pelo seu trabalho terá faturado ao Dresdner um montante de 600.000 euros pela intermediação de uma securities note do MPS de 120 milhões que está registada no Dresdner, através da Skylark, uma subsidiária do banco sediada nas ilhas Caimão.
Segundo os testemunhos ouvidos pelos promotores de Milão, esta alienação era nada mais, nada menos do que uma recompra de títulos anteriormente cedidos pelo Dresdner ao mesmo Monte dei Paschi. “O pagamento – lê-se na nota da Polícia Financeira – tinha sido executado contra qualquer lógica comercial (uma vez que a operação – pela sua própria natureza – não exige nenhuma intermediação) e com a vontade explícita do Dresdner.
As investigações mostraram que a Lutifin tinha sido utilizada como um veículo para fazer pagamentos reservados nas transações aos altos executivos do Monte dei Paschi, em troca da compra de um pacote de títulos que apresentava grandes perdas. Ao fazê-lo, o Dresdner descarregava os riscos sobre o Banco de Siena.
La Reppublica, Mps, Baldassarri e la banda del 5%. -I pm senesi: “La situazione è incandescente”, Janeiro de 2013. Texto disponível em:
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