
É verdade que Donald Trump invadiu toda a comunicação social. Televisão, jornais, blogosfera, por aí fora. Também é verdade que as opiniões expressas têm sido maioritariamente pouco favoráveis. A tender para o muito desfavoráveis. Não se pode, contudo, excluir a hipótese de haver alterações nestas opiniões a curto ou médio prazo. Mas o mais grave é que há mesmo muita gente que pensa como ele. A diferença é que não falam tão grosso nem têm tanta audiência. E, claro, não são presidentes de uma superpotência.
Mais importante ainda: ele não apareceu sozinho. O sucesso da sua candidatura estriba-se fortemente na vaga de desemprego e insegurança gerada nas economias ocidentais pela vaga neoliberal, iniciada na década de 1980. As políticas desenvolvidas pelos governos chefiados por Margaret Thatcher (1979-1990) e Ronald Reagan (1981-1989) deram o impulso decisivo ao neoliberalismo, o que é geralmente reconhecido. Este cavou ainda mais as diferenças entre classes sociais mais desfavorecidas e menos desfavorecidas, e entre países mais desenvolvidos e menos desenvolvidos. A riqueza e o poder tenderam e continuam a tender para uma concentração cada vez maior num número cada vez mais reduzido de mãos. Não será Trump quem virá contrariar essa tendência, por muitas promessas que tenha feito de contrariar o desemprego nos Estados Unidos.
A política alemã na Europa, e em particular na zona euro, tem grandes parecenças com a que Trump pretende desenvolver numa escala muito maior. Ao impor aos outros países, nomeadamente aos menos desenvolvidos, a austeridade, cortou-lhes as hipóteses de se desenvolverem e reduzirem o seu atraso em relação à Alemanha. Trump começou por querer impor aos outros países que aumentem os seus gastos nos organismos internacionais, já fala na paridade das moedas e nos investimentos. Tirando partido dos excessos da chamada globalização, que procura fazer crer que vai combater, vai sim procurar reforçar ainda mais o papel dos Estados Unidos como praça-forte da vida financeira mundial. As políticas discriminatórias e xenófobas (com semelhanças às que já se praticam nalguns países da Europa) que pretende impor visam captar o apoio dos seus cidadãos para a política internacional inflexível em que vai insistir cada vez mais.
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https://www.socialeurope.eu/2017/02/wolfgang-schauble-dangerous-eu-donald-trump/

