EDITORIAL – O IMPÉRIO TRUMP

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Começam a correr as notícias sobre a rendição dos mercados a Donald Trump. Se anteriormente às eleições de 8 de Novembro último pareciam contestá-lo, e preferir Hillary Clinton, de há muito uma amiga de Wall Street, agora, perante a vitória do multimilionário que virou político (ele já o era antes, mas não queria que se dissesse), há indicações de que estão a mudar totalmente a sua atitude. É muito simples, está a confirmar-se que Donald Trump quer governar autoritariamente, e os mercados gostam disso. Durante a campanha eleitoral apareceu muita gente a apoiá-lo, mostrando claramente que esperavam que ele mudasse um sistema que sentiam ser-lhes hostil. Os mercados, isto é, os responsáveis pelo sistema financeiro dominante, gostam de estar com quem comanda. Sabem que Trump, desfavorável à globalização, pretende introduzir modificações nas regras da circulação das pessoas, bens e capitais, mas saberão lidar com isso. Pretende reforçar o predomínio dos Estados Unidos no Mundo, não será por ele que se alterará o domínio do capital sobre o trabalho, quererá sim aumentar o proteccionismo para eliminar a concorrência estrangeira e assim criar postos de trabalho, equilibrar as balanças comercial e financeira e fazer com que os custos de toda a ordem, políticos, financeiros, humanos, das acções que visam aquele predomínio, recaiam de modo diferente sobre os parceiros e aliados. Os valores e ideias tradicionais serão usados declaradamente para reforçar o poderio nacional (isto é, das classes dominantes), interna e externamente. O domínio sobre a comunicação social será reforçado. O poderio da oligarquia aumentará, com o recrudescimento dos valores inerentes a um nacionalismo retrógrado e do isolacionismo. Um maior entendimento entre os vários blocos políticos ao nível mundial reforçará o domínio na frente interna, sem dar espaço à emancipação das populações e a primaveras políticas, muito saudadas nos primeiros dias, e a seguir implacavelmente torpedeadas. É o panorama que se desenha a partir dos Estados Unidos, cuja liderança aspira, agora com Trump, tal como anteriormente com Obama, Bush, Clinton, a manter-se como dominante a todos os níveis.

Propomos que cliquem no link abaixo:

http://www.lemonde.fr/economie/article/2016/11/26/les-marches-continuent-de-jouer-la-carte-donald-trump_5038499_3234.html

 

1 Comment

  1. Por favor compatibilizem :”recrudescimento dos valores inerentes a um nacionalismo retrogrado e do isolacionismo” com “um maior entendimento entre os vários blocos ao nível mundial”. CLV

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