
Nas vésperas do referendo britânico chefes de estado de todo o mundo andaram a pedir aos britânicos que não fossem na conversa do Brexit. Contudo há razões para duvidar da sua sinceridade, embora à partida se deva ter em conta que cada um tem as suas razões, diferentes conforme os interesses de cada um. Certo. Mas nem mesmo Vladimir Putin se terá pronunciado abertamente contra a sua realização (será verdade que afirmou que seria uma chantagem de David Cameron sobre a Europa, ou para assustar alguém – sobre isto cliquem no segundo link). Depois do referendo efectuado claro que a situação mudou bastante. Cada um vai reagindo conforme os interesses de momento. Num simples editorial é difícil fazer um cômputo da situação. Há contudo uma opinião que será de acompanhar com atenção, não evidentemente pelos seus méritos, mas por ser a de um candidato a um lugar muito poderoso, que afecta estar disposto a deitar abaixo as regras dominantes e os preconceitos vigentes, porque acha que assim terá mais hipóteses de lá chegar, nas suas próprias condições. E dizer o que muita gente pensa, embora não tenha oportunidade de o dizer alto. É um candidato a déspota, para não dizer a ditador. Falamos, claro, de Donald Trump.
Este senhor pretende claramente tornar-se uma pessoa popular, com vista às eleições cada vez mais próximas, e para isso está disposto a tudo. Exprime as opiniões mais chocantes, sem se preocupar com as consequências. E procura evidenciar-se nas alturas mais conturbadas. Assim, numa deslocação à Escócia por assuntos privados, logo no dia seguinte ao do referendo, não hesitou em mostrar a sua aprovação pelo resultado. Estava no seu direito, assim como os britânicos no seu ao aprovarem a saída da UE. Mas, como sempre, é importante compreender as razões de cada um. No caso de Donald Trump, ele tem como ideia básica aquilo a que ele chama reerguer a grandeza do seu país. E censura os outros países por dependerem excessivamente dos Estados Unidos. Obviamente que a UE é um dos principais alvos dos seus reparos. A curto prazo, uma UE dominada pela Alemanha, como é o caso, sê-lo-à ainda mais. E desiludam-se os que acreditam, ou possam vir a acreditar em eventuais vantagens de uma rivalidade entre dois colossos. O que se tem passado no Médio Oriente, com nações a serem destruídas para favorecer interesses económicos e geoestratégicos pode ser reeditado na Europa, também em grande escala.
Propomos que cliquem nos links abaixo:
http://www.bbc.com/news/uk-scotland-36617669
http://www.voltairenet.org/article192685.html
