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SINAIS DE FOGO – A SALETTE DO AMORIM – por Soares Novais

 

Foto: Página Global

 

O ex-deputado Amorim publicou na sua página no Facebook o seguinte: “Em 1975 a extrema-esquerda destruiu a embaixada espanhola em Lisboa (*). Hoje espero que os mesmos e os seus descendentes diretos tenham um pouco mais de maneiras…”

A investida do ex-deputado Amorim surgiu na sequência de um apelo da porta-voz do Bloco para a concentração que exigiu a libertação dos dirigentes políticos da Catalunha – condenados ao cárcere pelos juízes de Castela. A frase amoriana, publicada no dia 15,  motivou uma mão cheia de comentários. Mesmo que alguns contenham linguagem imprópria aqui ficam:                                                                      «                                                                                                                                                                                                           

 

Tais dichotes “porno” dos leitores do ex-deputado Amorim, que se guindou a essa condição por via dos dotes revelados como blogguer no Blasfémias e comentador da tevê, contaram com o seu silêncio cúmplice. E revelam, claro, a classe de quem os escreveu e de quem lhes deu guarida.

Não admira: o ex-deputado Amorim, que começou no CDS, passou pelo partidinho nado-morto de Manuel Monteiro até se acoitar no PSD e Passos fazer dele deputado em 2011, há muito que se distingue pelas boçalidades que diz. Como esta, publicada em Julho de 2018 na sua página no Facebook:

“Em 2011, imitámos a bancarrota grega de 2010. Agora são os gregos que nos seguem na tragédia assassina dos incêndios descontrolados – muitas dezenas de mortos, autoridades a agirem sem tom nem som, populações abandonadas, enfim. Portugal não é a Grécia, dizia-se, e foi verdade durante alguns anos. Agora é mais difícil não reconhecer.”

O ex-deputado Amorim acabou por eliminar tão brilhante conclusão do seu mural, mas tão desavergonhado post evidencia o seu elevado baixo nível. Tal qual o dos seus leitores-comentadores. Amorim conta com eles para consagrar o agora seu amado Dom Sebastião –  isto é, o organismo gelatinoso e perigoso que o mar de Espinho deu à costa.

A tempo: A afirmação do “prof” Amorim apenas dá a conhecer a parte da história que lhe interessa. Atente-se no que disse o então embaixador da Espanha franquista, António Poch y Gutierrez,  ao insuspeito ABC, em Novembro de 2015: “…Os que dirigiam aquilo eram espanhóis das FRAP [Frente Revolucionária Antifascista e Patriótica, à qual pertenciam três dos cinco condenados à morte pelo Conselho de Guerra de Burgos de 28 de Agosto, os outros eram da ETA] e, além de portugueses, havia também chilenos, cubanos, brasileiros, tupamaros, italianos… um bom sortido da IV Internacional.”

Por seu turno, Diniz de Almeida em “Ascensão, Apogeu e Queda do MFA”, II volume, afirma: «Em fins de Setembro de 1975, a CIA, desencadeia um golpe magistralmente planeado e quase rigorosamente executado. Cinco agentes da CIA, latino-americanos serão os executantes detonadores do assalto à Embaixada de Espanha em Lisboa. O assassínio previsto de cinco presos pelo garrote, facultaria o ambiente emocional para o efeito e a inconsciência habitual dos grupos esquerdistas completada pelo intencional voluntariado dos outros reaccionários camuflados de pseudo-esquerdistas, completarão o elenco necessário para o golpe que previa o assassinato do próprio embaixador de Espanha. Acidentalmente, ou talvez não, Edward Astwick Proctor, Conselheiro da Embaixada Americana, desconhecedor deste maquiavélico plano da CIA que incluía o assassínio daquele diplomata de quem é amigo pessoal, telefonar-lhe-á para não estar presente nesse dia na Embaixada, traduzindo, de qualquer forma, suspeitas que evitarão tão ingnominioso acto – que seria imputado, como é hábito nestas ocasiões, à Esquerda em geral. Prudente, o Embaixador acatar-lhe-ia a sugestão, o que muito provavelmente lhe terá salvo a vida. A UDP cairá nesta armadilha e emprestar-lhe-á a sua cor política.»

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