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MPPM – COMUNICADO 11/2020 – MPPM RECLAMA JUSTIÇA PARA O POVO PALESTINO E ALERTA PARA ESCALADA BÉLICA NO MÉDIO ORIENTE

 

 

O povo palestino vive um dos momentos mais dramáticos da sua já tão martirizada História. Mais uma vez, potências estrangeiras e grandes interesses económicos e geo-estratégicos estão a ditar e procurar perpetuar, à revelia do povo palestino e das suas forças políticas representativas, a ocupação estrangeira da terra palestina e a negação dos direitos inalienáveis do seu povo. Neste contexto, o MPPM solidariza-se com a luta do povo palestino, saúda as suas iniciativas de reconciliação nacional e alerta para os perigos de eclosão de uma nova e maior guerra no Médio Oriente.

Acordos de paz ou ventos de guerra?

As chancelarias ocidentais acolheram com aprovação, de moderada a entusiástica, a recente celebração, sob a égide dos Estados Unidos, de «acordos de paz» entre Israel e os Emirados Árabes Unidos e o Barém considerando que representavam um progresso para a paz na região.

Alguns aspectos destas iniciativas, indissociáveis do «plano Trump» para o Médio Oriente, são dignos de nota:

Contrariando a visão idílica de uma era de paz na região, o que estes acordos subtendem é um reforço da aliança militar entre Israel e as monarquias do Golfo, com apadrinhamento dos Estados Unidos, apontando ao alvo iraniano. Não são um passo para a Paz. Pelo contrário, são um passo no sentido duma nova e ainda maior guerra no Médio Oriente. São uma traição ao povo da Palestina.

Na realidade, na ausência de uma solução justa para a questão palestina, não haverá paz no Médio Oriente.

A ocupação consolida-se

O plano israelita de anexação da Cisjordânia pouco mais é que legitimar de jure uma situação que já existe de facto. Tem, todavia, um significado político importante na medida em que marca, oficialmente, o rasgar, por Israel, de todos os acordos e resoluções a que se obrigou — e nunca cumpriu — desde o início da ocupação.

Ao longo de décadas, Israel foi consolidando a ocupação perante a complacência — ou com a cumplicidade — da chamada comunidade internacional.

Estes factos confirmam uma estratégia de má-fé negocial por parte de Israel. Ao longo dos anos, o Estado Sionista foi criando factos consumados conducentes à anexação e à sua ulterior expansão territorial.

Direitos humanos, uma moeda de duas faces

Tem-se assistido, por parte da União Europeia e seus Estados membros, a campanhas de pressão sobre países alegadamente violadores de direitos humanos, nomeadamente com a imposição de sanções. A exigência de respeito pelos direitos humanos consta, aliás, das normas da UE, tanto para o acesso a fundos comunitários como para a celebração de contratos comerciais. Mas, singularmente, Israel beneficia de uma avaliação particularmente benévola, não obstante as comprovadas denúncias de violações de direitos humanos e de desprezo pelo direito internacional e pelo direito internacional humanitário.

Negociações de paz

É impossível falar em «negociações de paz» num processo que exclui liminarmente qualquer participação palestina e que se coloca a si mesmo em confronto com o direito e a legalidade internacional. Torna-se necessário, por isso, reafirmar a centralidade do direito internacional e das resoluções das Nações Unidas como marco fundamental para qualquer solução justa para a questão palestina.

Está nas mãos da comunidade internacional demonstrar que está genuinamente empenhada em encontrar uma solução política para a questão palestina, que respeite os legítimos direitos do seu povo. Não é aceitável que, ao fim de décadas de promessas incumpridas da comunidade internacional, se assista a ulteriores manobras dilatórias. Quem fecha as portas a uma solução política torna-se responsável por todas as consequências que daí resultem.

Unidade do povo palestino

O MPPM saúda as iniciativas que vão no sentido de promover a aproximação entre as forças políticas que representam o povo palestino e espera que sejam bem-sucedidas. As notícias de encontros entre partidos e organizações palestinas, com vista a um entendimento comum, só podem ser recebidas com optimismo e esperança.

A unidade do povo palestino e das suas forças políticas no seio da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) foi, no passado, o factor fundamental para a afirmação internacional da causa palestina e da vontade soberana do seu povo. Essa unidade é, nas actuais circunstâncias, de igual ou ainda maior importância.

O reforço da legitimidade da representação do povo palestino é tanto mais premente quanto se sucedem as manobras do ocupante e seus aliados para interferir nessa representação.

Por uma solidariedade activa

Neste quadro de extrema dificuldade para o povo palestino e em que se engrossam as forças belicistas no Médio Oriente, o MPPM:

O MPPM reclama do Governo Português, pelas obrigações que lhe impõem o texto constitucional, o direito internacional, o direito internacional humanitário e as resoluções das Nações Unidas:

20 de Outubro de 2020

A Direcção Nacional do MPPM

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