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CARTA DE BRAGA – “de e das correcções” por António Oliveira

Protestar é uma das características da democracia, desde que feita com regras e maneiras que a própria democracia sugere e inspira, mas raramente se pergunta o que vai acontecer, quando são as instituições a enganar-se e a cometer erros voluntários ou não explicados e, se tal acontecer, temos quase a certeza que a resposta mais certa será um lacónico ‘nada’, ou um mais elaborado ‘a culpa é do remador; há uma quase impunidade nas instituições, apesar de se arrastarem anos até uma questão estar resolvida, e de tais ou enganos, voluntários ou mal explicados, terem marcado indelevelmente o nome de uma qualquer pessoa.

Parece assim, que por trás das instituições haverá muitas coisas para explicar, ou que foram ultrapassadas pelos acontecimentos, ou mesmo pelo peso do tacão de qualquer comandante, voluntário ou mal explicado também. Os protestos são próprios de sociedades livres, em que os diversos sectores, minoritários ou não, podem exigir respostas aos seus problemas, derivados de leis ou actuações diversas e concretas, voluntárias ou não explicados.

Não posso deixar de avocar aqui, e por tudo isto, o conhecido jornalista Martin Wolf, presente na 5ª Conferência do Casino, por afirmar a determinada altura, ‘Não podemos dar por garantida a democracia, as nossas liberdades e direitos individuais. Foi algo que demorou dois séculos a construir e que exigiu muitos sacrifícios a muita gente. Mas é muito mais frágil do que supomos, por depender de muitos equilíbrios e compromissos’. E adiantou depois, concretizando esta afirmação, ‘Só estamos perante uma democracia saudável, quando os votantes dos partidos derrotados numa eleição, não se sintam ameaçados nos seus direitos e estilo de vida’.

A isto tudo se pode juntar ainda a maneira como os media estão a afectar a sociedade pois, ainda de acordo com Martin Wolf, agora no ‘La Vanguardia’, ‘Havia um sistema com um número limitado de jornais e televisões, que contratavam profissionais bem formados e competentes. Agora estamos num mundo em que qualquer um pode ser jornalista, e ter milhões de seguidores através das redes sociais, sem qualquer controlo, institucionalizado, ou não, voluntário ou não explicado’.

As consequências desta mudança têm contornos que a maioria talvez desconheça, pelas consequências de um empoderamento económico, que Martin Wolf também explica ‘A economia dos media empurrada ou arrastada pelo avanço tecnológico, destruiu a infraestrutura sobre a qual se fundamentou a democracia, o jornal, a rádio e a televisão’. Se juntarmos estas duas explicações poderemos ver bem como em pouco tempo passaram da escassez ao desmando do infinito, voluntariamente e sem explicação.

A democracia tem de ser entendida como a principal ‘figura’ da promessa igualitária, diz a filósofa Marina Garcés, numa entrevista especializada feita pelo ‘Diario.es’, explicando depois ‘Sociedade democrática é aquela onde há igualdade formal de direitos, sinal de uma participação concreta de toda a gente, seja ela quem for, na elaboração do sentido comum e das decisões partilhadas. É a promessa igualitária que temos visto ser manipulada, e convertida em circo, democracias transformadas em regimes pouco democráticos’.

São inúmeras as ameaças que se levantam no lento caminho dos povos para conseguir atingir o formalismo dessa igualdade, até porque é necessário, antes de tudo, ganhar a consciência que o neoliberalismo, que incrementa todas estas desigualdades, é um mostrengo insaciável, filho e herdeiro daquele capitalismo bem arreado, que a conscientização de classes, pesem embora os seus muitos defeitos, serviu bem para mostrar o que se passava, até porque ‘A desigualdade é o fundamento de todos os descontentamentos. Se não os satisfizerem ou explicarem estão a fomentar os conflitos’, nas palavras de Vage Fernández, psicólogo e especialista em segurança internacional.

A juntar a toda esta saga de pôr e tirar nomes, saga voluntária ou não explicada, bem como as acusações e correcções, voluntárias ou não explicadas, talvez seja bom que alguém, voluntário e bem justificado, possa explicar a toda a gente, qual destas três possibilidades será a mais válida no tal caminho da democracia o recurso à justiça por a política não conseguir resolver problemas, a manipulação da justiça pelos ‘actores’ políticos e sociais, ou manipulação diligenciada pelo sistema judicial

Há alguns milhões, infeliz e voluntariamente, à espera!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

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