Dia 8 deste mês, celebrou-se o Dia Mundial da Literacia, uma minudência se comparada com as Black Fridays, o Dia dos Namorados, os Dias do Pai, da Mãe ou dos Avós, (estes três últimos já de menor cotação nas catedrais do consumo), mas mesmo assim de cotação maior que o do passado dia 8, por não ter visto nem ouvido títulos nem parangonas nos jornais, nem ter ouvido comentários sobre tal assunto.
Temo que, à semelhança do que já aconteceu há séculos, e narrado pelo historiador grego Tucídides (460 a.C /400 a.C), ‘Não predomina o interesse geral, mas o pessoal, não se respeita o procedimento normal das instituições, nem as regras que o regulam’, a que hoje se poderia juntar ainda, o poderio da comunicação com ou sem ecrãs, porque, longe ou fora das maiorias, nas democracias ou seus simulacros, nada haver que lhe resista.
Isto tudo a propósito de já há muitos anos termos sido quase forçados a ‘tirar’ das palavras o significado e o sentido, nos quais edificámos os nossos crescimento e entendimento do mundo, aquela linguagem que aprendemos nos gestos, sorrisos e ralhetes dos que nos receberam aqui, com maior ou menor grandeza, mas agora apresentada com outras aplicações, que até aprendemos a usar para não sermos marginalizados por tais maiorias, impositivas desde a rua ao cafés, mesmo os do bairro, onde imperam os ecrãs e ‘os manhas de todas as manhãs’.
Não é por termos desenvolvido um sistema baseado no mau funcionamento, mas as desigualdades notórias em todos os sectores da actividade humana, acabou por dar a cada um, noções diferentes do significado e sentido dos termos identidade e liberdade, e assim, em nome deles, estamos a agir e a conviver menos bem; e elas as novas direitas do populismo rasca e sem princípios, estão a tomar conta de todas as palavras que perdemos, para as apoucar e amesquinhar, enrolando-as em bandeiras antigas e já sem sentido nestes dias.
Há coisas que se mantêm e nunca mudarão, apesar dos homens e dos interesses que, eventualmente dirão representar, a saber ‘Por um lado os princípios e os valores, por outro os interesses e a ganância’, escreveu no DN, o poeta e diplomata Luís Castro Mendes. Convém ter em atenção o uso de cada um deles!
Repito uma vez mais, que há já muitos anos fomos quase forçados a ‘tirar’ das palavras o significado e o sentido nos quais edificámos os nossos crescimento e entendimento do mundo, apenas linguagem de aprender a ‘ver o outro’, porque ‘Sem o outro não há eu, como diz o conceito de Ubuntu, próprio da cultura africana, mais precisamente: “Eu sou eu através de ti”, e na solidariedade e colaboração, não na competição’, escreveu também no DN, o padre e professor de Filosofia Anselmo Borges.
Por isto tudo, também devemos dar atenção ao que escreveu, ainda no DN, David Pascoal Rosado, Coordenador da Licenciatura em Ciências Sociais (online), da Universidade Europeia, ‘A literacia abrange um conjunto de competências essenciais para a competitividade profissional, mas também reflecte as desigualdades sociais e tecnológicas a nível global. Não competimos todos com as mesmas ferramentas, nem temos todos as mesmas oportunidades’.
Será isto que preocupa os novos populismos que nos querem forçar a ‘tirar’ das palavras o significado e o sentido nos quais edificámos os nossos crescimento e entendimento do mundo.
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor