HÁ UM FOGO ENORME NO JARDIM DA GUERRA por Luísa Lobão Moniz
clara castilho
HÁ UM FOGO ENORME NO JARDIM DA GUERRA
Há um fogo enorme no jardim da guerra E os homens semeiam fagulhas na terra Os homens passeiam co’os pés no carvão que os Deuses acendem luzindo um tição
Pra apagar o fogo vêm embaixadores trazendo no peito água e extintores Extinguem as vidas dos que caiem na rede e dão água aos mortos que já não têm sede
Ao circo da guerra chegam pirómanos abrem grande a boca quando são bem pagos soltam labaredas pela boca cariada fogo que não arde nem queima nem nada
Senhores importantes fazem piqueniques churrascam o frango no ardor dos despiques Engolem sangria dos sangues fanados E enxugam os beiços na pele dos queimados
É guerra de trapos no pulmão que cessa do óleo cansado que arde depressa Os homens maciços cavam-se por dentro e o fogo penetra, vai directo ao centro
José Mário Branco músicae interpretação Letra, Sérgio Godinho , in: José Mário Branco,
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”
Como podemos refletir sobre a Guerra?
O realismo político – o DIREITO a SER – concebe a paz como uma utopia e a guerra como um meio necessário para a aquisição e manutenção do poder;
O normativismo ou idealismo – o DEVER SER -advoga o fim das relações internacionais para além dos conflitos de interesse e da luta pelo poder.
O Direito Internacional, para a problemática da paz, expõe as pessoas e as suas vulnerabilidades a cru. Como foram possíveis tais atrocidades?
Os detentores do Poder devem saber fazer a guerra e a paz, fazer o combate e a reconciliação.
Será que a participação democrática é um travão à agressão, à violência cega dos militares? É a guerra universal?
Será a guerra legítima por motivos culturais?
Será a guerra legítima por motivos morais?
Será a guerra legítima?
Em primeiro lugar, importa a esta reflexão clarificar o que significam os conceitos: cultura, moral.
De forma resumida, o conceito de cultura será o comportamento, as tradições e os saberes de um determinado grupo social incluindo a língua, a religião, a música, a arte, o vestuário e inúmeros outros.
Por moral entende-se um grupo de regras, costumes e formas de pensar de um grupo social que determina o que devemos ou não devemos fazer na sociedade.
Por legitimidade as características de tudo o que está em conformidade com as normas legais e é considerado benéfico para a sociedade.
A Guerra não respeita o valor máximo da dignidade humana (direito à vida), causa mortes e destruição.
Uma guerra para ser considerada legítima, tem de ter alguns requisitos como ter justificações plausíveis como ser justa, os danos ocorridos não devem fazer grande destruição e deve ser o menos tempo possível e, então, verificar-se se é legítima ou não.
Se é racional, imparcial e justificada, ou seja, se as pessoas concordam com a sua legitimidade porque é em defesa dos Direitos Humanos.
A guerra não é justa quando se relaciona com aumento do território através da invasão de um território.
A guerra não pode ser legítima se os seus resultados são trágicos, como o grande número de mortes e a grande destruição das localidades.
Se a guerra é legítima tem de ser em todos os casos e ainda não houve uma guerra totalmente de acordo com a lei.
Não há guerras que cumpram as leis internacionais.
Ninguém é inocente, não há bons e maus, há sim crimes contra a Humanidade, contra o Direito à Vida, contra a dignidade de se SER.
Será possível que algum dia acabem as guerras?
A Guerra é uma sensação permanente de medo e da necessidade constante de auto proteção.
Um mundo aberto, plural e conflitual, onde há um grande campo de investigação crítica a desenvolver, para percecionar fundamentos filosóficos, dinâmicas históricas e expressões ideológicas e políticas.
Os Direitos Humanos, proclamados pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas no dia 10 de Dezembro de 1948, as suas raízes históricas, o impacto no presente e o seu dever ético e político democrático, para a prevenção da Guerra e a manutenção da Paz, é a permanente construção da Liberdade.
As guerras são conflitos armados que acontecem por diferentes motivos, como desentendimentos religiosos, interesses políticos e económicos, disputas territoriais, rivalidades étnicas, entre outras razões.
Na História, elas são estudadas pela História Militar que se dedica não só a entender as grandes guerras, como também a estudar as motivações que levaram ao início dos combates, como procura entender os principais acontecimentos no curso das guerras e quais as transformações causadas pelo fim de um conflito, a evolução tecnológica…
A guerra é um problema que tem a ver com a organização e as instituições sociais das sociedades humanas do Mundo inteiro, do Presente e do Passado, e, muito provavelmente, com a natureza biológica e estrutura psíquica do próprio homem, mas, certamente, é hoje, como tem sido sempre, um aspeto fulcral das relações entre os grupos humanos, politicamente organizados, que se reclamam de autonomia na determinação dos seus destinos. Justamente, essas sociedades politicamente organizadas e independentes, os Estados soberanos, aspiram à Segurança da sua condição, do seu espaço, atendendo que todos os civis devem ser protegidos e respeitados. Esta é a norma.
IMAGINE
Imagine there’s no heaven It’s easy if you try No hell below us Above us, only sky
Imagine all the people Livin’ for today Ah
Imagine there’s no countries It isn’t hard to do Nothing to kill or die for And no religion, too
Imagine all the people Livin’ life in peace You
You may say I’m a dreamer But I’m not the only one I hope someday you’ll join us And the world will be as one
Imagine no possessions I wonder if you can No need for greed or hunger A brotherhood of man
Imagine all the people Sharing all the world You
You may say I’m a dreamer But I’m not the only one I hope someday you’ll join us And the world will live as one
John Lennon
Quem consegue ouvir Imagine sem se emocionar, sem sentir que a paz é possível.
A vida quer paz e não guerra, liberdade e igualdade, não quer viver com medo!