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“NA NATUREZA, NADA SE CRIA, NADA SE PERDE, TUDO SE TRANSFORMA” por Luísa Lobão Moniz

“Na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” – Lavoisier

O meio ambiente, a Natureza, passou a fazer parte das agendas políticas porque este planeta está a passar por convulsões ambientais, climáticas, distribuição da riqueza, aumento de pobreza, desastres ambientais que matam milhares de pessoas, guerras por todo o planeta…

Nos discursos, sobre o meio ambiente, não há referência à interdependência entre os humanos e a diversidade, sobre a interdependência do mundo inteiro.

Há uma diversidade de seres vivos que dependem uns dos outros, mas parece que cada ser vivo cuida de sua própria vida, sem saber se influencia outros ou se é influenciado por outros.

O ser humano é a natureza de outros seres vivos, alimenta-se de outros organismos e, quando morre, os microorganismos tratam de reaproveitar a matéria orgânica.

A Natureza encarrega-se de TUDO transformar não deixando que nada se perca.

A vida do ser humano depende de como este se relaciona  entre si e com a natureza.

Ao longo do Tempo, os humanos criaram diferentes modos de se relacionarem com a Natureza.

Se recuarmos até à pré-história, a descoberta do fogo, da agricultura, da pesca, da criação de animais… verifica-se que a capacidade do ser humano agir na natureza tem sido cada vez maior, desequilibrando a harmonia – ser humano e Natureza.

O ser humano pôs a Natureza ao seu dispor, contrariando a verdadeira distribuição dos seres vivos e não vivos, o que é preciso é ir buscar tudo o que a Natureza tem ao alcance da vontade da Humanidade: petróleo, gás, pedras, falésias, água, comida, rios, mares…

E o Tempo continua a passar e o ser humano escolhe. Depois da Revolução industrial e o capitalismo se instalar, a Humanidade cada vez se torna mais destruidora  da Natureza.

O ser humano ameaça a continuação de todos os seres vivos e não vivos, assim como a sua própria existência.

O capitalismo e o consumo excessivo são responsáveis pela crise ambiental pela qual o planeta está a passar.

A criatividade humana e as novas gerações estão a começar, com mais representatividade, a pôr em causa o modo capitalista e o consumo excessivo dos recursos da Natureza.

Há que desenvolver estratégias para repor a harmonia entre a humanidade e a natureza, se for possível, pois já há muitas espécies em extinção, muitos rios secos, a assustadora crise climática, muitos fogos, muitos temporais, muitos vírus e bactérias que têm provocado pandemias que a medicina não está preparada para combater.

Há que desenvolver uma nova relação entre a Humanidade e a Natureza diferente de todas as anteriores, baseadas nos Direitos Humanos e nos Direitos da Natureza.

Há que acreditar que somos um mundo único e não dividido em parcelas ricas e pobres. Os rios atravessam países, os oceanos banham várias terras.

O capitalismo tem devorado os recursos da Natureza, ficando esta depauperada na sua própria existência, procurando sempre o seu equilíbrio, nem que para isso os vulcões entrem em atividade, a temperatura suba e desça, trazendo a morte aos seres vivos, as ditas estações do ano não sejam fieis, a destruição maciça de florestas …. Extinguir espécies…

Há que despertar as consciências, contestar, fazer uma revolução, se for caso disso.

Será que a Humanidade está à espera que morra a última árvore? Que o ser humano se torne canibal porque já não há nada que o alimente? Que o planeta Terra seque?

A nova revolução terá como princípio que o dinheiro não serve para nada se não houver nada.

Paisagem

Passavam pelo ar aves repentinas,

O cheiro da terra era fundo e amargo,

E ao longe as cavalgadas do mar largo

Sacudiam na areia as suas crinas.

 

Era o céu azul, o campo verde, a terra escura,

Era a carne das árvores elástica e dura,

Eram as gotas de sangue da resina

E as folhas em que a luz se descombina.

 

Eram os caminhos num ir lento,

Eram as mãos profundas do vento

Era o livre e luminoso chamamento

Da asa dos espaços fugitiva.

 

Eram os pinheirais onde o céu poisa,

Era o peso e era a cor de cada coisa,

A sua quietude, secretamente viva,

E a sua exalação afirmativa.

 

Era a verdade e a força do mar largo,

Cuja voz, quando se quebra, sobe,

Era o regresso sem fim e a claridade

Das praias onde a direito o vento corre.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

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