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CARTA DE BRAGA – “mercenários e violência” por António Oliveira

A notícia está datada de 30 de Agosto, as li-a hoje, dia 1 de Setembro, às 6 horas da manhã, na primeira página do DN, ‘Mercenários russos saem de África para reforçar posições’, devido à incursão ucraniana em Kursk, mas para reforçar as defesas de Moscovo! E hoje também, se calhar por causa disso, resolvi escrever a Carta para quarta feira.

Não sou analista de guerras, só queria que os donos das guerras e dos dinheiros nos deixassem em paz, arranjassem uns terrenos baldios para andarem ao soco e se aleijassem mesmo, mas apenas eles –os tais donos– para recorrerem aos hospitais públicos, com umas largas horas de espera e de trombas inchadas, para vermos como as guerras e seus acessórios, com ou sem ligações às redes, terminariam logo –até podiam levar como companhia os patrões dessas redes– para a nossa vida melhorar num repente!

E li também a crónica de John Carlin, no ‘La Vanguardia’, essa datada de hoje mesmo (01.09), nomeando os países onde não se pode opinar em liberdade (Venezuela, Nicarágua, Coreia do Norte, Eritreia, Bielorrússia, Mali, Síria y Rússia), os únicos dos mais de 190 países do mundo ‘que se afirmaram contra as repetidas resoluções da ONU, exigindo a retirada das tropas russas da Ucrânia’.

Mas deixa uma nota para a Alemanha, por ali se realizarem hoje umas eleições em que os ‘nazis’ podem ganhar, pela primeira vez, desde os anos trinta, referindo a AfD, favorita para ganhar as eleições na Saxónia e na Turíngia, ‘as duas regiões que, curiosamente, faziam parte do que foi a Alemanha de Leste, até à queda do Muro de Berlim’, acrescente o cronista.

Mas todas estas contradições, confusões ou hipocrisias (escolham a que mais lhe goste, diz também), não se ficam pelas repúblicas das bananas, ou nos vermelhos da Alemanha, mas (detectam-se na esquerda radical, a dos intelectuais, particularmente na Europa e na América Latina, pelo apoio a Putin e antipatia a Zelensky, e como também afirma que a culpa da invasão não é da Rússia, mas dos países da OTAN, como a Islândia, Grécia ou Portugal).

Não acrescento nada mais da cáustica crónica de John Carlin, mas aproveito para citar um outro cronista do mesmo diário catalão, Llàtzer Moix, ‘A liberdade de expressão como instrumento para garantir o pluralismo e a tolerância é uma coisa. A liberdade de expressão como Cavalo de Tróia para divulgar, juntamente com os conteúdos necessários, outros que vulneram os direitos e a dignidade humana, é uma outra coisa bem distinta’.

E no largo conjunto de viventes neste mundo à beira da catástrofe, até estão pessoas preparadas, lidas e bem estruturadas, tanto de um lado com o de outro! Talvez tenha encontrado uma vez mais em Walter Benjamim, a resposta ou a explicação para este drama, ‘A violência é sempre um meio para atingir um fim, mas o fim maior não pode ser a própria violência’.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

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