BRASIL DE FATO – BOLETIM PONTO – PAÍS QUENTE, ELEIÇÃO MORNA – por LAURO ALLAN ALMEIDA DUVOISIN e MIGUEL ENRIQUE STÉDILE
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Os olhos estão voltados agora para as urnas municipais, mas os pensamentos e os cálculos já miram em 2026 – Foto: Caroline Pacheco/Famecos/PUCRS. Fonte: Agência Senado.
“Mesmo sem os resultados nas urnas, já sabemos que o desfecho será conservador”
.FariaLimaBet. Segundo a economista indiana Jayati Ghosh, o Brasil é um país masoquista. Sem dívida líquida externa, com dívida interna baixa e sem ter exigências do FMI, pratica uma taxa de juros elevadíssima e se autoimpõe a tarefa de gerar superávits primários em meio a tantas demandas sociais. Pois é. Mas, para surpresa de zero pessoas, o Banco Central elevou a taxa de juros em 0,25%, ainda que agosto tenha registrado deflação, o PIB tenha subido, as reservas internacionais tenham crescido e a taxa de juros dos EUA tenha caído. Mas o importante é que o mercado financeiro não se incomode, não se irrite e não deixe de dar a sua importante contribuição para o desenvolvimento nacional: retirar dinheiro da produção para imobilizar na especulação, onde tem lucros altíssimos sem precisar gerar empregos e nem mercadorias. Basicamente, a maior casa de bets em funcionamento hoje. E para garantir os bons sonhos do rentismo, o BC ainda sinalizou que pode aumentar a Selic em 0,5% nas próximas reuniões. Na prática, a bajulação dos banqueiros mimados vai custar de imediato mais R$12 bilhões na dívida bruta do governo. Então, o que o Planalto e os seus diretores no BC ganham com isso? O discurso de que há uma transição tranquila de Campos Neto para Galípolo. Mas, como lembra Thomas Traumann, Galípolo (e o governo) podem estar caindo no golpe do flanelinha, pagando antecipado sem saber o que vão encontrar na volta, acreditando que a subordinação do governo agora será recompensada com bom comportamento do mercado financeiro lá na frente.
.Adeus ao mundo eurocêntrico? Em entrevista, o ativista Walden Bello discute o futuro do Sul Global e a decadência do poder ocidental. No Outras Palavras.
.Viagem ao centro do fogo. O fotojornalista Edmar Barros registra o cenário de destruição pelo fogo na Amazônia.
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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.