Site icon A Viagem dos Argonautas

QUEM VEM LÁ? por Luísa Lobão Moniz

 

Quem vem lá?

 O Ditador quer o poder e quer utilizá-lo acabando com a oposição, quer restringir direitos já conquistados em democracia e controlar a sociedade concentrando-o nas suas mãos.

O Ditador tem medo de ser vencido por quem pensa a Liberdade como um mundo comum, em vez de ser um sonho individual. Diz-nos a História que a força comum faz tremer um ditador, por isso ele não hesita na repressão sobre quem se manifesta nas ruas em nome da liberdade, da equidade…

O Ditador quer justificar a violência e a perseguição, aos seus opositores, em nome da segurança e dos limites da imigração.

O Ditador quer promover o culto da personalidade.

Quer controlar a comunicação social, omitindo ou censurando informações porque sabe que a discussão pública de eventos negativos gera movimentos de solidariedade para com os visados.

Um Ditador sabe que os conflitos sociais não diminuem com violência, mas com respostas que só podem ser humanas e que por isso põem em causa o seu poder sobre a organização social, sabe que os oprimidos são uma maioria em relação aos que discutem e refletem e vêm para a rua armados de palavras de ordem e de cartazes.

Os que sofrem com a destruição das guerras, os que morrem de fome, os que sofrem o sentimento de perda com as catástrofes climáticas, são sempre em maior número do que os que militam em organizações, em encontros, em manifestações de rua… os sem abrigo deste mundo não têm casas em parte alguma.

Caminhando pelas ruas principais de algumas capitais de países ditos civilizados, os sem abrigo, os que não querem nada das sociedades a não ser andar por aí. indignam qualquer ser humano, que continua a caminhar em direção à sua confortável casa…, adere à indignação mas não passa à ação.

O Ditador rapidamente proíbe os sem abrigo de frequentarem os sítios em que têm visibilidade e o cidadão comum crê que já não há tantos sem abrigo porque o Ditador lhes resolveu o problema pondo-os invisíveis.

O Ditador quer criar uma imagem positiva de si próprio, no entanto, não recusa a violência das forças policiais sobre manifestantes da oposição, em nome da segurança social, garantindo assim a eficácia do seu poder. A violência estatal, tida como uma arma ameaçadora, tolerada pelo medo de uma desordem que ponha em causa a sua segurança pessoal e já não tanto a segurança coletiva, própria de um estado democrático.

O Ditador acredita que é o único capaz de governar em nome do povo. Quer ser o farol que guiará as sociedades para uma maior justiça social. Que tipo de justiça?

Um Ditador viola direitos consignados na Declaração dos Direitos Humanos.

As diferenças culturais, entre os povos, tornam mais consistente a necessidade de respeitar os Direitos Humanos através de análises mais profundas que enriqueçam a compreensão dos Direitos e que apontem vias humanas de solução social contra as ditaduras, preconceitos, sentimentos de fracasso. Se olharmos para o passado vemos que os ganhos humanos políticos e sociais são indiscutíveis porque movidos pela energia positiva dos Direitos Humanos.

 A energia positiva, própria de uma democracia, não pode ser contaminada pelo negativismo, pela falta de autoestima de um povo que se sente impotente para ir sentindo o faroleiro a acender o primeiro farol do seu contentamento para indicar o caminho aos descontentes, sem lhes dizer que depois do farol vem um precipício. Sem dizer que os diferentes devem ser atirados borda fora.

O Ditador não acredita no sentimento de revolta dos oprimidos, daqueles que incomodam a sociedade, não por serem diferentes, mas porque, hipoteticamente, sabem pensar, comparar.

Não há impossíveis, há indignação, há ação para derrubar ditaduras e preconceitos.  A energia positiva dos Direitos Humanos trouxe inúmeros benefícios sociais e políticos.

O Ditador não resiste à energia transmitida a cada indivíduo que da repressão se vai libertando por se sentir livre de pensar, e atuar.

 O artigo 1º da DUDH: «Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”

Logo no 1º artigo o Ditador não quer que o ser humano seja dotado de razão nem de consciência.

As «Culturas de Liberdade» assentam numa das várias escravaturas porque não reconhecem diferenças de pensamento e opinião, não reconhecem a liberdade de cada cidadão.

Podem existir «culturas de liberdade» que, pelo não exercício quotidiano da liberdade por parte de todos e por cada um dos cidadãos, se encaminham, por horror ao vazio, para soluções despóticas

 Pensar a liberdade, nunca dada como culturalmente adquirida, manter a dúvida sobre a possibilidade de se ser livre, fazer uso da liberdade é um dos fios condutor intergeracional da educação para a liberdade, logo para não tolerar o Ditador.

Exit mobile version