SIM, SOU ASSIM! por Luísa Lobão Moniz

 

Há um verde, um preto, um céu luminoso e um mar azul revolto que fazem parte da vida.

De que vida? Podemos perguntar.

Passamos muito tempo a falar, a tirar conclusões das várias vozes que nos falam com diferentes intenções para nos conquistar e continuarem a sociedade que dominam, mesmo que essa sociedade não respeite a “vida de cada um”.

Arranjam nomes para classificar alguns comportamentos. A hiperactividade invadiu a população infantil, mas não faz mal dá-se-lhes um comprimido: ritalina ou atarax e outros que desconheço.

Claro, a criança é responsável pelo seu comportamento, o ambiente familiar, o que ela vê e ouve não é valorizado, seria muito mais difícil, mas mais eficaz.

Mas falava de cores da natureza que nos embalam quando somos crianças. Nunca mais esquecemos a bonita combinação entre o verde e o preto vulcânico, nunca mais esquecemos o cheirinho a mar, a imagem libertadora da dimensão do mar e do céu, a capacidade de se respirar silêncio e quietude.

Correr em cima de um muro de mão dada com o adulto que nos acompanha, mergulhar e ficar com a pele arrepiada, deitar-se ao sol em cima do chão quente durante horas até ficar quase desidratado. Aprender que quanto mais sol melhor para passarmos o inverno sem gripes.

Mais tarde vemos como estávamos desinformados!

O verde, o preto e o azul da nossa infância alimentam-nos as almas e o chamamento para essa natureza silenciosa invade-nos de uma certa melancolia, de um certo silêncio e compreensão.

Quem nos embalou, o que nos embalou contribuíram para a construção de valores, pelos quais lutamos toda a vida.

A diversidade da natureza é a diversidade humana. A diversidade da natureza torna o mundo mais equilibrado e mais bonito, a diversidade humana torna o mundo mais misterioso, fantástico e apetecível da descoberta.

Apesar de sedentários somos feitos de uma natureza que nos leva a querer desbravar Terra fora à procura das cores que nos apaziguam…

Todos somos infinitos como o céu e como o mar.

Mas o que somos afinal? Porque estamos ligados uns aos outros e mesmo assim rejeitamos o diferente? Porque é que uns trabalham para outros? Porque é que há ditadores e democratas? Porque há assassinos e vítimas?

Cada um de nós quer ser visto como a diversidade da natureza. Sim, sou assim!

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