«O islamismo é uma doença do Islão, tal como o integrismo é uma doença de todas as religiões.» (…) «O integrismo é a pretensão de se possuir a verdade absoluta e, por conseguinte, de possuir não só o direito, mas também o dever de a impor a todos, sem olhar a meios. O primeiro integrismo é o colonialismo ocidental.» nestas linhas do seu livro Religiões em Guerra , O debate do século, Roger Garaudy define o essencial de uma questão que a todos preocupa, fundamentalismo ou integrismo do Islão.
Os integrismos podem ser definidos como doença – o pensar-se que se possui a verdade absoluta é, já em si, sintoma de uma grave disfunção do raciocínio. O querer impô-la aos outros pode definir-se como um bloqueio patológico. Dá lugar a crimes inauditos a cruzadas, a holocaustos…
A nós, ocidentais, a visão do mundo actualmente revelada pela cleresia islâmica é incompreensível, semelhante à da cristandade medieval. O terrorismo como arma política é inaceitável, pois exercer violência sobre pessoas inocentes é repugnante (embora quem defende esse tipo de intervenção afirme que «ninguém é inocente», o que constitui uma evidente falácia). No entanto, esse tipo de acção deve ser devidamente contextualizado. O terrorismo praticado pela ETA, por exemplo, é a resposta ao terrorismo praticado pelo centralismo castelhano; tal como o terrorismo da Al-Qaeda é uma consequência do terrorismo colonial. Não quero desculpar ou branquear uns ou outros – apenas encontrar explicações. Porque se Madrid desistisse de impor o seu domínio ao País Basco e os Estados Unidos deixassem de intervir no mundo islâmico a questão do terrorismo não se colocaria.
O terrorismo é uma espécie de bomba atómica dos pobres. É criminoso e mata inocentes. Os Estados Unidos praticam o mais odioso dos terrorismos, arvorando-se em polícia do Mundo, arrogam-se o direito de depor governos autoritários, mas protegendo ditaduras ou «democracias musculadas», inclusivamente no seu continente. Pelos vistos, para a Casa Branca há «boas ditaduras» e «más ditaduras». O Irão não pode ter armas nucleares, mas o estado de Israel, sim – a França, a Grã-Bretanha, a Índia, podem ter armamento nuclear – a Coreia do Norte, não… Os muçulmanos têm sido espezinhados, espoliados, humilhados… Cria-se o Estado de Israel em território que tinha donos – os Palestinianos são acantonados em campos de refugiados. Que povo não ficaria enraivecido?
A minha conclusão é – combata-se o terrorismo islâmico. Mas, antes disso, ponha-se termo ao terrorismo que emana dos falcões do Pentágono, bem mais perigosos do que os obscurantistas clérigos islâmicos. É ali, no casamento entre o belicismo de psicopatas, convencidos da sua verdade e do direito de a impor a todo o planeta, e os interesses mais primários dos grandes grupos económicos, que se forja o terrorismo.

