A Revolta islâmica – por Carlos Loures

 

«O islamismo é uma doença do Islão, tal como o integrismo é uma doença de todas as religiões.» (…) «O integrismo é a pretensão de se possuir a verdade absoluta e, por conseguinte, de possuir não só o direito, mas também o dever de a impor a todos, sem olhar a meios. O primeiro integrismo é o colonialismo ocidental.» nestas linhas do seu livro Religiões em Guerra , O debate do século, Roger Garaudy define o essencial de uma questão que a todos preocupa, fundamentalismo ou integrismo do Islão.

 

Os integrismos podem ser definidos como doença – o pensar-se que se possui a verdade absoluta é, já em si, sintoma de uma grave disfunção do raciocínio. O querer impô-la aos outros pode definir-se como um bloqueio patológico. Dá lugar a crimes inauditos a cruzadas, a holocaustos…

 

A nós, ocidentais, a visão do mundo actualmente revelada pela cleresia islâmica é incompreensível, semelhante à da cristandade medieval. O terrorismo como arma política é inaceitável, pois exercer violência sobre pessoas inocentes é repugnante (embora quem defende esse tipo de intervenção afirme que «ninguém é inocente», o que constitui uma evidente falácia). No entanto, esse tipo de acção deve ser devidamente contextualizado. O terrorismo praticado pela ETA, por exemplo, é a resposta ao terrorismo praticado pelo centralismo castelhano; tal como o terrorismo da Al-Qaeda é uma consequência do terrorismo colonial. Não quero desculpar ou branquear uns ou outros – apenas encontrar explicações. Porque se Madrid desistisse de impor o seu domínio ao País Basco e os Estados Unidos deixassem de intervir no mundo islâmico a questão do terrorismo não se colocaria.

 

 

O terrorismo é uma espécie de bomba atómica dos pobres. É criminoso e mata inocentes. Os Estados Unidos praticam o mais odioso dos terrorismos, arvorando-se em polícia do Mundo, arrogam-se o direito de depor governos autoritários, mas protegendo ditaduras ou «democracias musculadas», inclusivamente no seu continente. Pelos vistos, para a Casa Branca há «boas ditaduras» e «más ditaduras». O Irão não pode ter armas nucleares, mas o estado de Israel, sim – a França, a Grã-Bretanha, a Índia, podem ter armamento nuclear – a Coreia do Norte, não…  Os muçulmanos têm sido espezinhados, espoliados, humilhados… Cria-se o Estado de Israel em território que tinha donos – os Palestinianos são acantonados em campos de refugiados. Que povo não ficaria enraivecido?

 

A minha conclusão é – combata-se o terrorismo islâmico. Mas, antes disso, ponha-se termo ao terrorismo que emana dos falcões do Pentágono, bem mais perigosos do que os obscurantistas clérigos islâmicos. É ali, no casamento entre o belicismo de psicopatas, convencidos da sua verdade e do direito de a impor a todo o planeta, e os interesses mais primários dos grandes grupos económicos, que se forja o terrorismo.

6 Comments

  1. A crença islâmica é a mais recente das três religiões de Abraão – judaísmo, cristianismo e islamismo. São três religiões irmãs, baseadas em princípios muito semelhantes, embora a organização do Corão, dividido em 114 capítulos ( suras ») seja diferente da que orienta quer a Bíblia cristã, quer a Torah hebraica. O que surpreende um ateu convicto, é estas três crenças de raiz comum não terem encontrado em todos estes séculos uma plataforma ecuménica. O que surpreende um ateu é gente piedosa cometer crimes hediondos em nome da sua crença. Estarei mal informado, mas tenho a informação de que preciso. Quanto a intenções, más ou boas, não tenho nenhumas . Não confundo cristianismo com islamismo. Mas a comparação é legítima. E não é favorável a nenhuma das três.

  2. Muito boa analise.A maioria das pessoas não consegue perceber porque é constantemente bombardeada e iludida sempre sócom os efeitos dos eventos visveis nas sociedades.Quando tentam analisar a CAUSA, a informação ou é negada ou é desacreditada para que as mesmas, continuem a marchar sempre e só no mesmo sitio, servindo interesses que manobram ambos os lados da equação.Tal como não se toma um comprimido quando se sente fome, simplesmente come-se, porque razão se há de culpar o efeito de algo na sociedade, negando por completo a sua causa.Assim, não sairemos do sitio e chacinaremos tudo e todos o que não manifestarem as visões que somos iludidos a acreditar.Quando as pessoas olharem para a causa…deixaram de perder tempos inutil a corrigir os efeitos

  3. É, isso mesmo, passamos a vida a discutir o supérfluo , aquilo que nos permitem discutir porque não nos deixam conhecer a génese dos acontecimentos. Verdade seja dita que, na maioria dos casos, não mostramos muita vontade de tentar saber como tudo se passou na origem mas, com uma comunicação social tão enfeudada ao capital como a que existe actualmente, também é muito difícil lá chegar.

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