No próximo dia 20 de Novembro são as eleições em Espanha. É dada como certa a vitória do PP. O tema principal em discussão na campanha eleitoral são os cinco milhões de desempregados. Mariano Rajoy diz que é a razão principal para haver uma mudança. Rubalcaba, que substituiu Zapatero à frente do PSOE, por seu lado, lamenta que o líder do PP não tente influenciar Angela Merkel, sua correligionária política, a favor da Espanha. A questão da ETA passou para segundo plano, pelo menos por agora.
O El País de sábado passado, dia 29 de Outubro, informa-nos que a América Latina vira as costas à Europa. Diz isto porque dos 22 países participantes na Conferência Iberoamaericana, que decorreu no Paraguai (a abertura foi na sexta-feira), 11 não se fizeram representar pelo chefe de estado respectivo. A começar pela Argentina e Brasil. E isto apesar dos esforços de Juan Carlos, que terá telefonado pessoalmente a Cristina Kirchner. O jornal procura atribuir este aparente desinteresse ao crescimento das relações entre os países iberoamericanos e a China e a Índia. Mas a diplomacia espanhola está temerosa quanto ao êxito da próxima cimeira, que decorrerá em Cadiz no próximo ano. Se é permitido a Diário de Bordo uma opinião modesta, seria conveniente recomendar a D. Juan Carlos que tenha uma participação mais moderada nestes assuntos. A sua famosa recomendação a Hugo Chávez (que também não apareceu no Paraguai), em 2007, no Chile, para se calar, terá sido muito aplaudida em Espanha e em Portugal, mas na América do Sul houve muita gente que não gostou. Uma nota interessante, o Haiti pediu para entrar para a comunidade iberoamericana.
O El País de sábado passado informa-nos também que o governo do Cazaquistão (aliás o presidente Nazarbayev, que ocupa o cargo há uns vinte anos) contratou Tony Blair como seu consultor político e económico. O salário anual é de 9 milhões de euros. De que se irá ocupar o ex-primeiro ministro britânico? Talvez de promover eleições naquela antiga república soviética, que tem muito petróleo. Também é verdade que Tony Blair presta serviços do mesmo género (quais?) noutros países. O El País diz que Nazarbayev deve pensar que Blair vai aparecer tantas vezes lá na Ásia Central como no Médio Oriente, nas suas funções como representante do quarteto para a paz entre Israel e os palestinianos. Será pouco optimismo?
Por cá, o Público de ontem informava-nos que a CP desconhece o impacto que as novas portagens estão a ter no serviço ferroviário. Entretanto tem prevista a supressão de alguns comboios entre o Entroncamento e Castelo Branco, e o fim das ligações directas entre Lisboa e Castelo Branco ao sábado. Isto apesar da introdução de portagens na A23, que corre paralela à linha da Beira Baixa. Será para ajudar à desertificação do interior? Ou para impulsionar as ligações a Espanha?
A Viagem dos Argonautas, cumprindo o seu editorial fundador, não publica propaganda partidária. Por outro lado, quer insistir na via de dar voz a um leque de opiniões o mais aberto que possível, até porque o nosso número de leitores tem aumentado, chegando a ultrapassar os 500 por dia. Assim, já têm publicado alguns textos oriundos de organizações de carácter político, com princípios com os quais o nosso blogue não se identifica forçosamente, mas que são opiniões com interesse para o conhecimento de problemas importantes com que a nossa sociedade se debate. Como também temos já publicado textos de personalidades de convicções diferentes das nossas, mas de qualidade, e que ajudam a conhecer os pontos de vista dos sectores de pensamento a que pertencem. Vamos continuar nessa senda, fazendo os comentários que tivermos por pertinentes. Pedimos aos nossos colaboradores e leitores que nos apoiem, fazendo os seus comentários e sugestões, do modo que tiverem por mais conveniente.

