DIÁRIO DE BORDO, 3 de Novembro de 2011


 

No próximo dia 20 de Novembro são as eleições em Espanha. É dada como certa a vitória do PP. O tema principal em discussão na campanha eleitoral são os cinco milhões de desempregados. Mariano Rajoy diz que é a razão principal para haver uma mudança. Rubalcaba, que substituiu Zapatero à frente do PSOE, por seu lado, lamenta que o líder do PP não tente influenciar Angela Merkel, sua correligionária política, a favor da Espanha. A questão da ETA passou para segundo plano, pelo menos por agora.

 

O El País  de sábado passado, dia 29 de Outubro, informa-nos que a América Latina vira as costas à Europa. Diz isto porque dos 22 países participantes na Conferência Iberoamaericana, que decorreu no Paraguai (a abertura foi na sexta-feira), 11 não se fizeram representar pelo chefe de estado respectivo. A começar pela Argentina e Brasil. E isto apesar dos esforços de Juan Carlos, que terá telefonado pessoalmente a Cristina Kirchner. O jornal procura atribuir este aparente desinteresse ao crescimento das relações entre os países iberoamericanos e a China e a Índia. Mas a diplomacia espanhola está temerosa quanto ao êxito da próxima cimeira, que decorrerá em Cadiz no próximo ano. Se é permitido a Diário de Bordo uma opinião modesta, seria conveniente recomendar a D. Juan Carlos que tenha uma participação mais moderada nestes assuntos. A sua famosa recomendação a Hugo Chávez (que também não apareceu no Paraguai), em 2007, no Chile, para se calar, terá sido muito aplaudida em Espanha e em Portugal, mas na América do Sul houve muita gente que não gostou. Uma nota interessante,  o Haiti pediu para entrar para a comunidade iberoamericana.

 

O El País de sábado passado informa-nos também que o governo do Cazaquistão (aliás o presidente Nazarbayev, que ocupa o cargo há uns vinte anos) contratou Tony Blair como seu consultor político e económico. O salário anual é de 9 milhões de euros. De que se irá ocupar o ex-primeiro ministro britânico? Talvez de promover eleições naquela antiga república soviética, que tem muito petróleo. Também é verdade que Tony Blair presta serviços do mesmo género (quais?) noutros países. O El País diz que Nazarbayev deve pensar que Blair vai aparecer tantas vezes lá na Ásia Central como no Médio Oriente, nas suas funções como representante do quarteto para a paz entre Israel e os palestinianos. Será pouco optimismo?

 

Por cá, o Público de ontem informava-nos que a CP desconhece o impacto que as novas portagens estão a ter no serviço ferroviário. Entretanto tem prevista a supressão de alguns comboios entre o Entroncamento e Castelo Branco, e o fim das ligações directas entre Lisboa e Castelo Branco ao sábado. Isto apesar da introdução de portagens na A23, que corre paralela à linha da Beira Baixa. Será para ajudar à desertificação do interior? Ou para impulsionar as ligações a Espanha?

 

A Viagem dos Argonautas, cumprindo o seu editorial fundador, não publica propaganda partidária. Por outro lado, quer insistir na via de dar voz a um leque de opiniões o mais aberto que possível, até porque o nosso número de leitores tem aumentado, chegando a ultrapassar os 500 por dia. Assim, já têm publicado alguns textos oriundos de organizações de carácter político, com princípios com os quais o nosso blogue não se identifica forçosamente, mas que são opiniões com interesse para o conhecimento de problemas importantes com que a nossa sociedade se debate. Como também temos já publicado textos de personalidades de convicções diferentes das nossas, mas de qualidade, e que ajudam a conhecer os pontos de vista dos sectores de pensamento a que pertencem. Vamos continuar nessa senda, fazendo os comentários que tivermos por pertinentes. Pedimos aos nossos colaboradores e leitores que nos apoiem, fazendo os seus comentários e sugestões, do modo que tiverem por mais conveniente.

 

1 Comment

  1. Aprovechando este repaso de la actualidad política española en los días previos al inicio de la campaña electoral, me permito traer aquí las palabras del que fue uno de los redactores de la Constitución española y presidente del Parlamento español, militante del PSOE y catedrático de Derecho, Gregorio Peces Barba, pronunciadas en su intervención del pasado 27 de octubre en el Congreso Nacional de la Abogacía celebrado en Cádiz.Refiriéndose a la fuerza que van tomando en los últimos tiempos las voluntades independentistas, especialmente en Cataluña, Peces Barba dijo: “Yo siempre digo en broma que qué hubiera pasado si en lugar de quedarnos con Cataluña nos hubiéramos quedado con Portugal, porque igual nos habría ido mejor (…). Éste es el problema de España desde hace siglos, desde que el Conde Duque de Olivares (1640) se encontró al tiempo con el levantamiento de los catalanes – que siempre celebran sus fiestas por sus derrotas- y los portugueses, porque se tomó la decisión de dejar a Portugal y quedarnos con los catalanes (…). No soy pesimista, estaremos en mejores condiciones que en otras épocas. No se cuántas veces hubo que bombardear Barcelona (…) Creo que esta vez se resolverá sin necesidad de bombardear Barcelona”.Los abogados catalanes abandonaron la sala… Y estalló ahí, una vez más, la polémica y las justificaciones del Sr. Peces Barba: “era una broma… Los catalanes son demasiado susceptibles y no son capaces de aguantar una broma… Se puede hacer broma sobre los bombardeos de Barcelona, pero no sobre los de Gernika, porque “son cosas diferentes” (según Peces Barba)…

Leave a Reply