DIÁRIO DE BORDO de 22 de Outubro de 2012

 

Ontem foi dia de eleições na Galiza e nos País Basco. No dia 25 de Novembro será a vez de os catalães se pronunciarem. As causas que defendemos, principalmente na rubrica «Península/Penintsula», das independências de País Basco, Catalunha e Galiza e da restituição dos territórios que o estado espanhol roubou a Portugal e a Marrocos, correspondem a um problema real e aquilo a que os centralistas chamam Espanha, continua cinco séculos depois dos reis católicos a ser uma utopia cuja coração pulsa em Madrid. . E o que  Madrid designa por «separatismo», mais não é do que o esforço de recuperação da liberdade e das dignidades nacionais de três países a que o estado espanhol, morto Franco e recuperada a democracia, deveria ter restituído a liberdade. Porém, a «democracia» espanhola conservou todo o lixo herdado da ditadura – uma monarquia ridícula e a repressão política, social e cultural sobre outras nações peninsulares, bom como a posse ilegítima de Olivença.

Todavia,  esta «unidade», mantida pela força e pela violenta aculturação, impondo o idioma castelhano, dá sinais de se estar a desfazer. Na Galiza, profundas divisões entre as diferentes correntes independentistas, permitiram, nas eleições autonómicas de ontem, a vitória do PP. No País Basco, o PNV – Partido Nacionalista Vasco e o seu dirigente máximo, Iñigo Urkullu deverá ser o próximo presidente do governo autónomo. Pela primeira vez, há oliventinos a solicitar a naturalidade portuguesa.

Mas é na Catalunha que se antevê a primeira grande ruptura no tecido de uma «unidade» espanhola que nunca existiu. Dissolvido o Parlamento catalão, a Generalitat, em 25 de Novembro próximo  eleições antecipadas poderão ditar a separação da Catalunha do estado espanhol. Estado sonhado pelos Trastâmara, engrandecido pelos Habsburgo e mantido, com o zelo com que um cão guarda um osso, pelos lamentáveis Bourbons.

Esta gente do bloco central que se apoderou do poder em Portugal, defende a ideia de que temos vantagem em que Espanha não se desagregue. Raciocínio de comerciante (Espanha é a «loja âncora» do mercado ibérico). É óbvio que uma Espanha decomposta nas nações históricas de que é formada, nos permitiria defender melhor os nossos interesses do que fazendo-o perante um estado cinco vezes maior.

Todas estas questões serão debatida durante uma edição especial que faremos em 25 de Novembro próximo sob o título «Espanha, existe?».

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