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DIÁRIO DE BORDO, 30 de Dezembro de 2011

 

 

A leitura dos jornais leva a maioria dos leitores a interrogarem-se sobre se não ocorre ao governo eleito deste país que está a pôr os portugueses em pânico. Veja-se o seguinte. No Público de ontem, 29 de Dezembro, podia-se ler notícias sobre:

 

 

 

 

 

 

E também:

 

 

 

 

Para além do que acima foi referenciado apenas num título diário, vão ocorrer agravamentos no custo dos transportes e nos preços da alimentação, só para referir a situação de sectores essenciais à vida dos portugueses. Estes, assim, acreditam cada vez menos na viabilidade de um dia verem as suas vidas mais equilibradas. 

 

Alguns, com certeza por ignorância, invocam não haver alternativa possível a estas medidas. Tal não é verdade. O sistema de impostos, e as restrições às remunerações penalizam extremamente as classes médias e baixas, deixando de fora as mais altas. Invocam os responsáveis políticos que as classes altas não devem ser afectadas nos seus rendimentos ou nos seus bens porque a sua acção é fundamental para o funcionamento da economia. Ou porque pura e simplesmente se mudam para o estrangeiro se lhes são feitas exigências de maior contributo. Aceitar este jogo é aceitar o regresso do nosso país ao tempo do velho terceiro mundo.

 

Portugal tem um dos níveis de vida mais baixos de entre os países da União Europeia. A sua economia está dominada por alguns grandes grupos económicos, e cada vez mais por entidades exteriores ao país. Mas uma eventual recuperação terá de assentar nos seus trabalhadores (os tais que só tem tido más notícias) e nos pequenos e médios empresários (cuja sobrevivência, na maioria dos casos está a ser muito afectada por estas medidas).

 

É essencial pôr cobro à especulação financeira para inverter esta situação. Se o dinheiro continuar a ir para as off-shores, ou a ser aplicado em produtos tóxicos, e não for investido produtivamente, a recessão será cada vez mais profunda.  Em vez de se andar a desregulamentar os mercados, a tirar direitos aos trabalhadores, a fazer privatizações que prejudicam o país, e a desestabilizar os inquilinos pobres, é prioritário regulamentar rigorosamente o chamado mercado financeiro, para haver bases para relançar a economia. 

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