UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (252)

TÁXIS PARADOS

 

Imagem Internet

Aqui na cidade, a exemplo de mais duas outras no País, os profissionais da indústria dos táxis, pararam.

Juntaram-se aos magotes na Avenidas dos Aliados, vindos do Castelo do Queijo e de Campanhã, esperaram pelas resoluções governativas às suas exigências, legítimas por certo (nesta como noutras situações somos um povo que adora exigir), esperaram pelas directivas dos seus dirigentes que, também eles, esperavam, assumiram as razões que lhes assistiam para a greve encetada, e, à hora em que escrevo estas linhas, no fim do oitavo dia, continuam à espera, e, quem sabe, desesperam.

Enquanto uns motoristas exigiam que a Uber e a Cabify, e congéneres, simplesmente acabassem, mandando todos os seus trabalhadores para o desemprego, exibindo cartazes a isso alusivos, outros, mais comedidos exigiam (sempre as exigências que nos caracterizam), simplesmente, os mesmos direitos.

Pelo que dizem os taxistas entrevistados, e pelo que é o entendimento geral de todos nós, no fundo o que os taxistas, na sua maioria, exigem oficialmente, é ter os mesmo direitos que os senhores da Uber e da Cabify.

Ora, digo eu, para termos os mesmos direitos, deveremos também exigir-nos os mesmos deveres.

Assim sendo, o que os taxistas parecem querer é:

– Deixarem de ter isenção de 70% no valor do ISV

– Deixarem de ter isenção de IUC

– Passarem a ter 5% de contribuição sobre a Taxa de Intermediação.

– Passarem a deixar de ter dedução de IVA relativo a despesas com as viaturas.

– Deixarem de poder deduzir o valor do IVA do gasóleo.

– Deixarem de ter apoio específico na compra de carros eléctricos.

– Passarem a não poder operar com veículos de idade superior a 7 anos.

– Deixarem de ter contingentação (poder haver quantos táxis lhes apetecer).

– Poderem praticar preço livre.

– Deixarem de ter estacionamento dedicado.

– Deixarem de ter acesso à via Bus.

– Só poderem conduzir 10 horas por dia.

– Não poderem mostrar publicidade no interior ou no exterior dos veículos.

– Deixarem de ser um Serviço Público, ou, na inversa, que os Uber e os Cabify tenham as mesmas mordomias que eles têm por serem um Serviço Público, passando também eles a sê-lo.

Mas não me parece que seja mesmo isto que a indústria dos Táxis quer!

Julgam, ou julgavam, estes profissionais, que a má fama de que gozam se não iria repercutir mais dia menos dia nos seus trabalhos. Enganavam-se todos os dias com um olhar embevecido para o próprio umbigo.

Julgam, ou julgavam, estes profissionais, que o País iria parar com a paragem deles, que o País os aplaudiria e que, solidariamente, deixariam de utilizar os serviços dos senhores dos Uber e dos Cabify.

Julgam, ou julgavam, estes profissionais, que os dirigentes que nos governam iriam de imediato em seu socorro, de rabiote entre as pernas, com receio das represálias da paralisação ou do mais que viesse a seguir.

Estão, ou estavam, estes profissionais, enganados, auto-enganados. Os governantes da capital, bem assim como quaisquer outros, não lhes deram a importância que eles julgavam ter nem se intimidaram com as exigências que fizeram (até ver, claro, uma vez que estamos em contagem decrescente para as eleições), o País não parou, as cidades que tiveram estes manifestantes a bloquear algumas das principais ruas, não pararam, os Uber e os Cabify terão tido muito mais trabalho nessas cidades, e as populações não saíram à rua para os apoiar.

O serviço de Táxi é muito importante e mereceria ser tido como um serviço de excelência. Em muitos casos são o primeiro rosto visível para quem nos visita. Infelizmente e devido a muitos exemplos de maus profissionais (há-os bons e maus em todas as profissões) não é boa a fama de que vem acompanhado. Algumas atitudes dos profissionais do sector, que tendem a prejudicar os utentes deste serviço, também não ajudam a uma reabilitação do sentimento generalizado que se vai sentido em todo o lado. Devo dizer, no entanto, em abono da verdade, que o que se passa de negativo, na minha cidade e com este serviço, é, felizmente, menos grave e menos notório do que dizem que se passa noutras paragens. Mas não deixa, por isso, de ser mau.

Alguma coisa terá de mudar, e a mudança terá de vir dos profissionais de Táxis. Terão de mudar de mentalidade, terão de mudar de atitudes, de qualidade do serviço prestado, equiparando-se, ou mesmo superiorizando-se aos serviços prestados pelas outras organizações, se não quiserem morrer de morte lenta e dolorosa.

Não será por certo com proteccionismos e paralisações e exigências que vencerão, tanto a médio como a longo prazo.

 

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VÁ VER TEATRO EM CAMPANHÃ

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SÃO MIGUEL DE NEVOGILDE

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ESCRITARIA

De 1 a 7 de Outubro, Penafiel transforma-se na cidade de Pepetela

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About José Fernando Magalhães

Escrevo e fotografo pelo imenso prazer que daí tiro

5 comments

  1. Pingback: UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (252) | joanvergall

  2. José Marafona

    Só tenho pena não existirem hubermédicos, huberprofessores, huberjuizes, e já agora hubergovernantes.. muito mudaria na nossa sociedade de lobbies instituídos. Vou parar de sonhar com uma Huberdemocracia..! 😦

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  3. Gostei de ler, francamente.
    Achei imensa graça à relação ( imensa ) dos DIREITOS que os taxistas desejam !
    A única vez que utilizei um UBER, constatei que o condutor não conhece a cidade do Porto :
    Do Coliseu à Concha Douro passei pela Via Panorâmica, fomos à Rotunda dos Produtos Estrela e, finalmente, deixou-nos do outro lado de Antunes Guimarães !
    Óbvio que os carros são modernos e quem os conduz são pessoas bem vestidas e educadas.
    Mas, em princípio, continuarei a preferir os serviços prestados pela RÁDIOTAXIS.

    Um abraço.

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    • Na verdade, meu caro João Menéres, parecem não ter um conhecimento profundo da cidade, pelo que se valem, sempre, do GPS. Dessa forma é possível que o aparelhinho os mande dar uma volta ao bilhar grande, em vez de irem a direito como esperaríamos, mas não pagamos mais por isso, já constatei. Nos restantes parâmetros, batem os do Serviço Público aos pontos.
      Um abraço

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