A Canção de Hans, o marinheiro
Se tu soubesses
que em todos os portos do mundo
há uma mão desconhecida
a acenar – adeus, adeus – quando se parte pró mar;
se tu soubesses
que o mar não tem fronteiras nem distâncias
é sempre o mar;
se tu soubesses
a noite nas águas
onde os barcos são berços
e os marinheiros meninos a sonhar;
se tu soubesses
o desamor à vida quando o vento grita temporais
e a morte vem abraçar os homens na espuma das vagas;
se tu soubesses
que em todos os portos do mundo
há um sorriso para quem chega do mar;
se tu soubesses vinhas comigo pró mar
embora as nuvens do céu
e os ventos que vêm do Este e do Oeste, do Sul e do Norte
digam ao mundo que vai haver o temporal maior que todos!
No Diabo n.º 222, publicado em 24 de Dezembro de 1938, apareceu a Canção de Hans, de Manuel da Fonseca, com a dedicatória do autor a Jorge Amado.O escritor português deu-nos assim a conhecer a resposta de Hans, o marinheiro, a António Balduíno.
