HANS, O MARINHEIRO, CANTA PARA ANTÓNIO BALDUÍNO – por João Machado

Jorge Amado conclui Jubiabá em 1935. Acompanhamos assim  António Balduíno no seu caminho desde o  Morro do Capa Negro, do pai de santo Jubiabá, passando pela Rua Chile e pela Lanterna dos Afogados. Desde menino que Baldo sonha com o mar e que luta pela sua liberdade. Pelo filho de Lindinalva vai trabalhar para a estiva. Nas lutas dos trabalhadores percebe o significado da solidariedade. Faz fugir Exu da macumba de Jubiabá. Zumbi dos Palmares pisca para ele do céu. E Jubiabá se inclina diante dele. Deixa de querer entrar pelo mar para a morte, como quando pensava em Lindinalva. Um dia partirá num navio e fará greve em todos os portos. Responde ao adeus do marinheiro loiro que vai no navio holandês todo iluminado, e Hans responde ao adeus de António Balduíno em

A Canção de Hans, o marinheiro

Se tu soubesses

que em todos os portos do mundo

há uma mão desconhecida

a acenar – adeus, adeus – quando se parte pró mar;

se tu soubesses

que o mar não tem fronteiras nem distâncias

é sempre o mar;

se tu soubesses

a noite nas águas

onde os barcos são berços

e os marinheiros meninos a sonhar;

se tu soubesses

o desamor à vida quando o vento grita temporais

e a morte vem abraçar os homens na espuma das vagas;

se tu soubesses

que em todos os portos do mundo

há um sorriso para quem chega do mar;

se tu soubesses vinhas comigo pró mar

embora as nuvens do céu

e os ventos que vêm do Este e do Oeste, do Sul e do Norte

digam ao mundo que vai haver o temporal maior que todos!

 

No Diabo n.º 222, publicado em 24 de Dezembro de 1938, apareceu a Canção de Hans, de Manuel da Fonseca, com a dedicatória do autor a Jorge Amado.O escritor português deu-nos assim a conhecer a resposta de Hans, o marinheiro, a António Balduíno.

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