Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
SÉRIE BANCA – 11
Nota Introdutória – tempos de profunda inquietação
O mês de Setembro vai ser no quadro europeu, e até mesmo no quadro mundial, um mês muito quente. A Europa está em perigo e as forças que querem levar a cabo a sua demolição não desarmam e tanto mais que agora são os grandes operadores nos mercadores globais, um a um, que estão a ser atacados pela Administração Obama, curiosamente a única Administração a querer fazer alguma coisa neste campo, a querer colocar ordem onde impera a desordem e a ganância desenfreada, desordem esta a que chamam mercados financeiros, ganância esta a que chamam a alma do sistema e dão-lhe o nome pomposo de concorrência global ou de eficiência dos mercados. Trata-se talvez de uma reacção de vida ou de morte deste polifacetado grupo de operadores e pela nossa parte diremos que é por esta luta que passa neste momento a sobrevivência da social-democracia tal como a conhecemos no quadro do capitalismo globalizado. Por esta mesma razão prometemos para o mês de Setembro uma série de textos longos sobre a eventual queda do Euro começando pelo Plano B que foi apresentado à Chanceler Merkel.
A corrupção nos mercados financeiros é generalizada, as estruturas de mercado eram tudo menos estruturas organizadas: eram antes mais um salvo-conduto para o roubo mais generalizado. O caso da Libor e da sua manipulação, por uma garrafa de champanhe, das muito boas é claro, os conflitos de interesses entre operadores diversos, levou a que uma taxa central ou fulcral para o mundo inteiro fosse sujeita a manipulações diárias ao sabor dos interesses mais diversos, ora a beneficiar um operador ora a beneficiar outro e assim sucessivamente durante anos.
Diremos que a realidade marcou encontro com a História até porque é o substrato dessa mesma História ao mostrar que é urgente exigir as reformas que dêem sentido à organização económica dos mercados globais mas ao que parece os eleitos que nós elegemos estão de costas voltadas para a necessidade desse encontro fundamental para a Humanidade. Necessariamente assim porque estão por essa via a defender o que eles próprios fizeram, um sistema que pela sua própria construção não só é inibidor do progresso como vive, pela lógica do próprio sistema, de uma corrupção generalizada. Não é pois por acaso que homens como Nogueira Leite defendam o branqueamento sobre responsáveis pela crise e recebe o cargo de vice-Presidente da Caixa Geral dos Depósitos, não é por acaso que Rajoy defende o branqueamento dos gestores da banca em Espanha, em particular do Bankia e do seu amigo Rodrigo Rato director desse mesmo banco que saí protegido por um chapéu dourado de 1 milhão e duzentos mil euros, não é por acaso que Cameron, depois das relações com Murdoch pretende também ele o branqueamento dos responsáveis pela manipulação da Libor, nem é por acaso o falso ataque aos paraísos fiscais organizado pela OCDE para ficar tudo na mesma.
Por tudo isto, por tudo o que de trágico pode acontecer a partir de Setembro se os nossos eleitos não assumirem o mínimo de lucidez, de coragem e de honestidade, por tudo isto, vivemos tempos de profunda inquietação.
Sobre este tema, a Libor e a necessidade das reformas do sistema financeiro, a segunda parte do texto de Sajyjit Das, sobre a Libor. Um texto que exige. Cremos, uma profunda reflexão
Faro, 22 de Agosto de 2012
Júlio Marques Mota
