A DETERMINAÇÂO DA TAXA LIBOR – PARTE II. Por Satyajit Das – IV

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

SÉRIE BANCA – 11
(CONTINUAÇÃO)

Crescente supervisão e regulação do mecanismo da determinação da taxa é agora proposto

Os defensores do sistema bancário “reduzido” argumentam que a separação da banca comercial e da banca de investimento poderia resolver o problema. Mas as taxas de juro de referência afectam os normais empréstimos e os depósitos assim como a actividade dos traders. Os defensores da Regra Volcker argumentam que a prevenção do proprietary trading dos bancos poderia minimizar o problema. Na realidade, a manipulação não está apenas relacionado com as posições dos traders  mas também com a actividade bancária em geral.

Os reguladores do Reino Unido parecem resistentes a uma regulação mais rigorosa. O governador do BoE, Mervyn King, observou: “A ideia que se possa   basear o cálculo futuro da LIBOR na ideia de que” a minha palavra é a minha LIBOR “é agora uma ideia morta”. Mas o governador advertiu: “penso que é muito importante que as pessoas não esperem muito da regulação”.

As autoridades britânicas nostalgicamente anseiam por um tempo já anacrónico quando a maioria dos banqueiros em Londres estava localizada na Square Mile da City  e em que se trabalhava na base da confiança mútua. Segundo o folclore da época, um simples levantar de sobrancelhas de um governador do banco central era o suficiente para evitar um comportamento insatisfatório. Os bons velhos tempos já não são eram o que pareciam ser. Na década de 1980, o chefe de um banco comercial de UK disse aos novos funcionários que ele não sabia como poderiam ficar ricos dado que a prática de insider trading tinha sido banida.

A batalha entre os principais centros financeiros está subjacente ao debate sobre a regulação. Na década de 2000, Londres tornou-se o centro mundial da alta finança. Não intrusiva, a resposta “light touch” da regulação do mercado foi um factor do seu sucesso. Prejuízos á reputação de Londres e uma mais rigorosa regulação permitiria a Nova Iorque e a outros centros europeus ganharem concorrencialmente algumas vantagens. As autoridades dos EUA dão a entender que elas forçaram os relutantes reguladores do Reino Unido a agirem e a colocarem-se numa posição de liderança na condução da reforma. Os reguladores bancários da União Europeia e os reguladores anti-trust desencadearam investigações importantes que podem afectar a vantagem competitiva de Londres.

(continua)

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