Site icon A Viagem dos Argonautas

POESIA AO AMANHECER (32) – por Manuel Simões

Gastão Cruz – Portugal

( 1941 –   )

A SOMBRA INICIAL

Vem a poesia da meia claridade

do princípio da vida quando as sombras

tornam ainda obscuro

o texto e pouco a pouco uma água

começa a percorrê-lo sem o levar

Porém que diz ao mundo uma visão

de rostos inclinados transformando-se

devagar em palavras que não

sobem do fosso em que naufragam?

É preciso salvá-las

dessa água que as lava sem levá-las

e os rostos do mundo então dividem-se

e a luz sai dos

olhos ignorados sem sabermos

se é isso a poesia ou se ela era

a sombra inicial que vimos quando a

vida se afastava do nada

(de “A Moeda do Tempo”)

Participou no movimento colectivo “Poesia 61” e foi coorganizador da “Antologia da Poesia Universitária” (1964). Teve a seu cargo a crítica de poesia no suplemto literário do “Diário de Lisboa” (1966-1967) e na “Seara Nova” (1969-1970). Co-dirigiu a série “Textos de Poesia” (1971-1972). Da sua obra poética destacam-se: “A Morte Percutiva, Poesia 61” (1961), “Outro Nome” (1965), “As Aves” (1969), “Teoria da Fala” (1972), “As Leis do Caos” (1990), “Rua de Portugal” (2002), “A Moeda do Tempo” (2006).

Exit mobile version