
José António Gonçalves – Portugal
( 1954 – 2005 )
RENTE AOS OLHOS
ao poeta A.J. Vieira de Freitas
rente aos olhos a lágrima a
manhã o orvalho a mão
sobre o arado e o sol nascendo
rente aos olhos a rosa o gume do
espinho a terra crua inchando
sob os pés gretados e o suor
crescendo
rente à pele o amor a voz de
prisão às coisas à cinza ao
azul do mar batendo a praia deserta
e inocente
rente ao homem os dedos cansados
o sono infinito os canteiros vazios
dois palmos de novo dia e um poema
branco sem palavras
(de “Antologia Verde”)
Poeta madeirense. Estreou-se com “É Madrugada e Sinto” (1974), depois do que publicou, entre outras, as seguintes obras: “A Crista de Neptuno” (1975, com prefácio de Natália Correia); “Antologia Verde” (1991); “Os Pássaros Breves” (1995); “Esquivas São as Aves” (2001) e “As Sombras do Arvoredo” (2004), para além do volume antológico “Tem o Poder da Água” (1996).

