
Para além destas especulações, os sinais de que o cadáver deste executivo está a entrar rapidamente em decomposição, são muitos e elucidativos. A auto-demissão do professor Pedro Dias do cargo de Director da Biblioteca Nacional de Portugal e a recusa da escritora Maria Teresa Horta de receber o Prémio Literário D. Dinis das mãos de Passos Coelho, constituem dois desses sinais. Não nos recordamos de uma semelhante e generalizada repulsa – nem Santana Lopes, com os concertos para violino de Chopin, conseguiu um tal grau de rejeição.
No facebook Pedro Dias, ao transcrever a carta de demissão, antecedia-a desta nota: «Acabou a colaboração com o Governo, enviei hoje esta carta ao secretário de Estado da Cultura – Ser cúmplice de Passos Coelho e do seu governo, não». E na carta, culminava a sua argumentação de uma forma incisiva, após alegar motivos pessoais que o levavam a demitir-se, acrescentava: «Mais ainda, não só não me revejo na politica do Senhor Primeiro Ministro, como estou completamente contra ela, e não reconheço legitimidade ao Governo para se manter em funções, por ter renegado todas as promessas feitas ao eleitorado, e que constituem a base da sua legitimidade democrática. É assim absolutamente inaceitável ser cúmplice destas acções, enquanto Director-Geral, participando na delapidação de Portugal e dos seus recursos, em benefícios de grupos económicos, com o esmagamento das classes trabalhadoras e do domínio, no campo politico, da Maçonaria, entidade que sempre combati.»(…)«Já me desvinculei do PSD, de que já não sou militante, e não desejo voltar a ter qualquer colaboração com esta instituição, que nada tem a ver com a que, a partir de Maio de 1974, ajudei a desenvolver e a afirmar-se»
Maria Teresa Horta, não renuncia ao prestigioso prémio atribuído ao seu romance ”As Luzes de Leonor”, disse esta terça-feira não o aceitar receber das mãos do primeiro-ministro, conforme o previsto. « “Na realidade eu não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos – pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -, ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país”,
Duas posições que honram o mundo da cultura. Mas os sinais de que falávamos são mais e, de certo modo, mais significativos – Mário Soares, entende que o governo se deveria demitir. Marcelo Rebelo de Sousa, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix e muitos outros, dizem o mesmo de maneiras diferentes.
O PS, com o incentivo destes sinais de degradação visíveis mesmo sem sondagens, assume a atitude institucional – o governo de Passos Coelho deve ir até ao fim da legislatura – não se justificam eleições antecipadas. Pois. Com os resultados previstos, o PS só poderia governar em coligação – com o PCP? Com o BE? Com ambos? Talvez com o CDS…

