– Diga-me cá uma coisa: lá na Capital, onde tudo é diferente daqui, você já dormiu com uma preta?
Senti que estremecia. Seria nojo, seria medo?
– Não, Sr. Vossler, nunca!
– Bravo, Brichna, bravo! Embora do Norte, você é como se fosse um autêntico cavalheiro de Palmira. Nada de misturas amorosas! Não é?
– Isso mesmo, Sr. Vossler.
– Digo até que você é mais cavalheiro do que eu, que já dormi com dez ou vinte pretas. Ou mulatas, cabritas ou crioulas, é tudo a mesma coisa.
– Não me diga…
– Digo, digo. Gostava muito das coristas, daquelas que no Outono costumavam vir em tournée a Palmira. As melhores são as crioulas. Têm ritmo, estão sempre a rebolar, um delírio…
– Só pretas, Sr. Vossler? E brancas?
– Uma, apenas uma.
– Mas rebolava?
– Oh se rebolava…
– Era daqui?
– Era, era… Casada e esfomeada. O marido não funcionava, sofria de um aperto nas partes baixas… Coitada, já morreu.
– E o marido nunca desconfiou?
– Acho que não.
– É vivo?
– Sim, ainda é vivo.
– Quem foi ela, posso saber?
Um ratinho, mas abelhudo… Já era querer saber de mais.