CAVALHEIROS… por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

– Diga-me cá uma coisa: lá na Capital, onde tudo é diferente daqui, você já dormiu com uma preta?

Senti que estremecia. Seria nojo, seria medo?

– Não, Sr. Vossler, nunca!

– Bravo, Brichna, bravo! Embora do Norte, você é como se fosse um autêntico cavalheiro de Palmira. Nada de misturas amorosas! Não é?

– Isso mesmo, Sr. Vossler.

– Digo até que você é mais cavalheiro do que eu, que já dormi com dez ou vinte pretas. Ou mulatas, cabritas ou crioulas, é tudo a mesma coisa.

– Não me diga…

– Digo, digo. Gostava muito das coristas, daquelas que no Outono costumavam vir em tournée a Palmira. As melhores são as crioulas. Têm ritmo, estão sempre a rebolar, um delírio…

– Só pretas, Sr. Vossler? E brancas?

– Uma, apenas uma.

– Mas rebolava?

– Oh se rebolava…

– Era daqui?

– Era, era… Casada e esfomeada. O marido não funcionava, sofria de um aperto nas partes baixas… Coitada, já morreu.

– E o marido nunca desconfiou?

– Acho que não.

– É vivo?

– Sim, ainda é vivo.

– Quem foi ela, posso saber?

Um ratinho, mas abelhudo… Já era querer saber de mais.

In A COR DOS HOMENS

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