
Passa hoje o 79º aniversário da revolta da Marinha Grande. Contrariando a estratégia da central sindical, os activistas locais criaram uma estrutura de democracia directa – um soviete – e, durante grande parte do dia 18 de Janeiro de 1934, a vila da Marinha Grande foi uma ilha de liberdade num país dominado por uma ditadura que iria durar mais 40 anos.
O que fez Salazar, destruindo a Constituição da República e criando preceitos constitucionais à medida do seu projecto autoritário e anti-popular, estão estes senhores do executivo de Passos Coelho a fazer, rasgando a Constituição. Mas, enquanto Salazar o fez num contexto histórico favorável à progressão do fascismo, esta gente está a actuar num quadro supostamente democrático, usando o voto popular para destruir os direitos que o povo recuperou após a Revolução de Abril. Os «donos de Portugal» são os mesmos, bem o sabemos. Mas a qualidade dos seus lacaios piorou. Entre Salazar e Passos Coelho, apesar do vídeo em que vemos o rosto de Pedro assumindo as feições de António, há um fosso que separa um reaccionário, católico, de má índole, mas inteligente, de um reaccionário estúpido e incapaz. Como está a acontecer em muitos restaurantes, a qualidade do serviço baixou.
