“Ousar lutar, ousar vencer!” – um documento proto-histórico do MRPP tinha este título e quando surgiu, em 1973 causou sensação em toda a esquerda – quem não ousa lutar, não pode esperar vencer. Mas há quem tenha medo de vencer.
Se há coisa de que António Costa não possa ser acusado é de ousadia. O presidente da Câmara de Lisboa, depois de uma nova vaga de críticas ao secretário-geral, de Mário Soares, de Carlos César, de Francisco, vem criticar a liderança do partido pela sua demora em escolher um cabeça de lista para as eleições europeias.
“É difícil entender, como é que a cúpula do PS permite que se esteja a “desgastar nomes na praça pública”- Costa pergunta como é possível o partido não aproveitar a austeridade e o desgaste que ela provoca, para descolar do PSD nas sondagens: “num cenário destes, é possível o PS não ter uma vitória significativa?”. (…) “O PS podia estar a posicionar-se melhor para estas eleições. É difícil compreender não só não ter ainda um cabeça-de-lista escolhido, como sobretudo a forma como se ter permitido desgastar sucessivos nomes na praça pública”, criticou António Costa, quando comentava no programa Quadratura do Círculo a estratégia de Seguro (ou a sua ausência).
“É impensável” que os socialistas não tenham um excelente resultados nas europeias , e admitir qualquer cenário “que não seja uma vitória significativa do partido socialista” será uma derrota para António José Seguro. “Ganhar poucochinho é fazer uma coligação poucochinha e fraquinha”, comentou e insistiu que, para o PS, “é preciso ganhar solidamente e poder ter força e capacidade para poder negociar e fazer acordos”.
A existência de diversas «sensibilidades» é geralmente referida como uma mais-valia. O secretário-geral é um caso nítido de incapacidade. Mal se consegue resisitir à tentação do trocadilho fácil com o seu apelido, tal é a insegurança e a falta de convicção que demonstra em todas as suas intervenções. António Costa é aparentemente mais assertivo. Mas se não ousa lutar, como poderá vencer?
A um mau partido do governo, opõe-se um partido sem coesão que é uma federação de sensibilidades, que vão da social-semocracia ao neo-liberalismo mais reaccionário, da militância de esquerda ao oportunismo puro e simples, da tradição republicana à ausência de doutrina. Um governo liderado por Seguro nunca será aquele de que o país precisa. Pode não ser tão mau como o de Passos Coelho, mas precisávamos de um que fosse muito melhor.