Site icon A Viagem dos Argonautas

EDITORIAL: NÃO HÁ TRABALHO EM PORTUGAL?

Diário de Bordo - II

O FMI insiste nos cortes (no nosso bolso, claro. Para alguns os cortes são aumentos).  Propõe taxar o subsídio de maternidade, aumentar o IVA sobre a cultura, sobre o vinho (imaginem!,), volta à carga com a diminuição da taxa social única, e quer acabar com a derrama sobre o IRC das empresas. Quer a reforma do Estado nas mãos do Gaspar, para uma série de questões, entre elas “reduzir a fragmentação orçamental (que expressão rebuscada!). Por outro lado, o governo anda com a troika (da qual também faz parte o FMI) a ver onde pode meter mais portagens. Já agora, porque não põe o FMI a calcular quantos postos de trabalho se perderam por causa das portagens?

Temos os jornais e as televisões carregados com notícias deste género. As perspectivas que nos abrem (melhor dito, que nos fecham) são de ruína, para o país e para as pessoas em geral. Fazem-se previsões, mais ou menos pessimistas. Uma, que chama a atenção,  de entre todas estas notícias que nos castigam, tem um significado especial: o desemprego estrutural vai aumentar cada vez mais (vejam o Jornal de Negócios online, em

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/emprego/mercado_de_trabalho/detalhe

/fmi_preve_desemprego_estrutural_acima_de_14_em_2017.html).

É uma notícia com a data de ontem, 18 de Janeiro.

O desemprego estrutural é a diferença entre a oferta de trabalho, isto é, o número de pessoas que estão a trabalhar mais o das que procuram trabalho, por um lado, e o número de postos de trabalho que as empresas, os empregadores dispõem, acrescido dos que pensam criar. Sobre esta última variável, há anos que se sabe que está abaixo de zero, e que tudo indica que assim vai continuar. Esta previsão também é do FMI. O desemprego estrutural, informa também o Jornal de Negócios, demora mais a reduzir. Claro, para ele diminuir, os patrões têm de criar postos de trabalho que antes não existiam. Ora, hoje em dia, a regra é reduzir nos postos de trabalho. Sobretudo nos postos de trabalho fixos. Porque será? Por causa da crise? Ou será que foi o que causou a crise, juntamente com a ganância de uns quantos senhores? Entretanto, em relação ao Estado avoluma-se a previsão dos despedimentos.

Será que não há nada para fazer em Portugal? Ou será que não há quem pague? Os gabinetes dos ministros parecem ser a excepção. Não há dúvida que andam ao contrário do resto do país.

Exit mobile version