![10550902_MvCyL[1]](https://i0.wp.com/aviagemdosargonautas.net/wp-content/uploads/2013/01/10550902_mvcyl13.jpg?resize=179%2C179)
Já aqui manifestei o meu desencanto pelo abismo entre as esperanças que depositei na sua primeira eleição e as desilusões pela forma como exerceu as suas funções. Culpa minha porque nunca deveria ter alimentado tais ilusões. Mas também afirmei que preferia voltar a enfrentar as agruras de um novo desencanto do que as certezas de uma nova versão retocada do pesadelo W. Bush que teria sido a eleição de Mitt Romney.
De qualquer forma até admito que o segundo mandato de Obama poderá ser menos frustrante – estarei mais uma vez a confundir perspectivas e desejos – porque, sendo o último, menores serão as preocupações de segurar determinadas franjas do seu eleitorado. Mas nunca poderá resistir totalmente aos poderosos lobbies do seu partido, até porque haverá eleições intercalares para a Câmara dos Representantes onde os democratas querem recuperar a maioria e, na complexa diversidade humana e regional dos EUA, republicanos e democratas não se dividem rigidamente entre direita e esquerda (à escala americana, claro). Alguns sinais parecem-me,contudo,animadores, nomeadamente as indicações de John Kerry para a Secretaria de Estado e de Chuck Hagel para o Pentágono.
Os problemas que vai enfrentar são gigantescos, quer a nível externo quer a nível interno. Neste particular terá de confrontar uma maioria republicana muito agressiva e revanchista, que através de uma oposição sistemática e desgastante lhe vai criar dificuldades no problema das armas de defesa (?) individual, na fiscalidade para os mais ricos, nas despesas do Estado em matéria social como a saúde e a educação (a que não chamamos Estado social porque em relação aos EUA isso seria um contra-senso). Sem uma mudança na maioria na Câmara dos Representantes dificilmente contornará o conservadorismo genético de grande parte dos norte-americanos e mesmo com essa mudança de maioria não será seguro.
No campo externo as coisas são mais complexas e doutra dimensão. Em primeiro lugar o império global dá mostras de exaustão, que começaram com W. Bush. E o século XXI anuncia-se como o século da Ásia em que a China ameaça disputar a hegemonia em alguns patamares do poder mundial. Os EUA, voltados para o Pacífico, tenderão a secundarizar a Europa. Mas a Europa continuará a interessar-lhes como ponte para o Médio Oriente e a Ásia Central, onde continuarão a centrar-se as maiores preocupações com a conflitualidade mundial. Europa que não parece capaz de desempenhar aí um papel relevante e autónomo que dispense os EUA. A proliferação nuclear, o terrorismo global, a criminalidade transnacional organizada, o Irão, a Palestina, Israel, permanecerão temas dominantes.
Deveremos estar muito atentos aos primeiros sinais que vierem de Washington, nomeadamente a habitual directiva anual da Casa Branca NSS (National Security Strategy) que,sendo a que inicia o mandato, será indiciadora de uma linha tendencial dos grandes objectivos do presidente. Aguardemos, mesmo que mais preocupados do que esperançados.
Apesar de tudo, apetece-me dizer, good luck Mr. President.
21 Janeiro 2013
