GIRO DO HORIZONTE – Barack Obama – segundo mandato – por Pedro de Pezarat Correia

10550902_MvCyL[1]No dia em que escrevo, 20 de Janeiro, ainda sem pompa e circunstância porque isso está guardado para amanhã, toma posse Barack Obama para o seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos da América e, implicitamente, como “imperador” do império global. Exactamente por esta segunda condição afecta-nos a todos nós, mesmo que não o tenhamos eleito. No íntimo, afinal, todos expressámos um voto favorável ou contra, de simpatia ou de antipatia. Acredito que poucos se terão deixado ficar na indiferença absoluta do tanto faz.

Já aqui manifestei o meu desencanto pelo abismo entre as esperanças que depositei na sua primeira eleição e as desilusões pela forma como exerceu as suas funções. Culpa minha porque nunca deveria ter alimentado tais ilusões. Mas também afirmei que preferia voltar a enfrentar as agruras de um novo desencanto do que as certezas de uma nova versão retocada do pesadelo W. Bush que teria sido a eleição de Mitt Romney.

De qualquer forma até admito que o segundo mandato de Obama poderá ser menos frustrante – estarei mais uma vez a confundir perspectivas e desejos – porque, sendo o último, menores serão as preocupações de segurar determinadas franjas do seu eleitorado. Mas nunca poderá resistir totalmente aos poderosos lobbies do seu partido, até porque haverá eleições intercalares para a Câmara dos Representantes onde os democratas querem recuperar a maioria e, na complexa diversidade humana e regional dos EUA, republicanos e democratas não se dividem rigidamente entre direita e esquerda (à escala americana, claro). Alguns sinais parecem-me,contudo,animadores, nomeadamente as indicações de John Kerry para a Secretaria de Estado e de Chuck Hagel para o Pentágono.

Os problemas que vai enfrentar são gigantescos, quer a nível externo quer a nível interno. Neste particular terá de confrontar uma maioria republicana muito agressiva e revanchista, que através de uma oposição sistemática e desgastante lhe vai criar dificuldades no problema das armas de defesa (?) individual, na fiscalidade para os mais ricos, nas despesas do Estado em matéria social como a saúde e a educação (a que não chamamos Estado social porque em relação aos EUA isso seria um contra-senso). Sem uma mudança na maioria na Câmara dos Representantes dificilmente contornará o conservadorismo genético de grande parte dos norte-americanos e mesmo com essa mudança de maioria não será seguro.

No campo externo as coisas são mais complexas e doutra dimensão. Em primeiro lugar o império global dá mostras de exaustão, que começaram com W. Bush. E o século XXI anuncia-se como o século da Ásia em que a China ameaça disputar a hegemonia em alguns patamares do poder mundial. Os EUA, voltados para o Pacífico, tenderão a secundarizar a Europa. Mas a Europa continuará a interessar-lhes como ponte para o Médio Oriente e a Ásia Central, onde continuarão a centrar-se as maiores preocupações com a conflitualidade mundial. Europa que não parece capaz de desempenhar aí um papel relevante e autónomo que dispense os EUA. A proliferação nuclear, o terrorismo global, a criminalidade transnacional organizada, o Irão, a Palestina, Israel, permanecerão temas dominantes.

Deveremos estar muito atentos aos primeiros sinais que vierem de Washington, nomeadamente a habitual directiva anual da Casa Branca NSS (National Security Strategy) que,sendo a que inicia o mandato, será indiciadora de uma linha tendencial dos grandes objectivos do presidente. Aguardemos, mesmo que mais preocupados do que esperançados.

Apesar de tudo, apetece-me dizer, good luck Mr. President.

21 Janeiro 2013

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