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QUANDO O FMI CRITICA AS MEDIDAS DE AUSTERIDADE, por Laurent Pinsolle

Selecção, tradução, introdução e dedicatória por Júlio Marques Mota

(conclusão)

2. Segundo comentário de A-J Holbecq

Gostaria igualmente de assinalar um artigo de RST no seu blog, a sua ideia sobre um livro que Marc Lavoie lhe aconselhou:

“Théories Monétaires Post Keynésiennes”.
Além de um  excerto muito interessante de  L.Randall WRAY, não  perca os comentários…

Depois de mais de 10 anos de análise da moeda (e da dívida pública ) parece cada vez mais óbvio que só o Estado deve emitir  moeda, e eu subscrevo  totalmente a análise de Jean Jégu que escreve sobre a moeda resultante da monetização das dívidas públicas:

“Assim, a moeda emitida poderia não só cobrir  o financiamento  e os investimentos correntes  mas também o campo actual dos  subsídios ou  subvenções, dos empréstimos a taxa zero  ou de uma outro qualquer intervenção social voluntário (exemplo: rendimentos de existência).” Obviamente, a desmonetarização é  igualmente tão necessária quanto a monetarização da  moeda –  toda e qualquer dívida deve acabar por ser paga  – a desmonetização requer a existência de uma tributação bem ajustada   aos equilíbrios  sociais   e/ou a execução de  serviços públicos a serem pagos . Uma vez que as despesas públicas enriquecem o seu povo ; amanhã as despesas públicas poderiam enriquecer os cidadãos! “

Para o leitor deste texto, acrescente-se que “Os neochartalistas pensam, e com razão, que “toda e qualquer nação dotada de moeda soberana, pública, será capaz de garantir o pleno emprego.” Para os leitores deste texto acrescentemos que «o Estado cria a moeda gastando e destrói moeda através dos impostos recebidos: a fiscalidade  serve então para reivindicar a moeda e para  controlar a massa total de moeda em circulação.”Nota de tradução.

Texto disponível em :

http://ecodemystificateur.blog.free.fr/index.php?post/Théories-Monétaires-Post-Keynésienne

Diz-nos ainda Holbecq:

Eu repito aqui o que penso :
Se um país tem:

1 – uma necessidade colectivamente  desejável.
2 – a vontade de a satisfazer ,
3 – as matérias-primas ,
4 – os meios técnicos e energéticos para a sua produção
5 – um excesso de mão-de-obra e de saber-fazer disponível ,
se assim é, … a impossibilidade muitas vezes declarada da falta de  financiamento é uma muito má desculpa  porque a riqueza real resultará de uma criação monetária eventualmente  necessária para que esta riqueza possa ser realizada. É necessário,  obviamente, uma posteriormente ‘destruição’ desta moeda assim criada; e é pela via do imposto que essa “destruição”  se fará, ou seja,  pelo  reembolso progressivo de uma dívida sem juros (e, consequentemente, a  destruição das obrigações correspondentes) à medida sua própria usura , ou seja, da amortização das riquezas que a produção terá  permitido através da emissão monetária.

Resposta de Laurent Pinsolle:

Obrigado por estes links. É interessante que o FMI  levante a questão de  100% moeda. Decididamente,  Olivier Blanchard  parece ser alguém de estimar e de espírito aberto .
Completamente de acordo  sobre a monetarização. O exemplo simples da Grã-Bretanha (£375 mil milhões,) ou 470 mil milhões de euros em apenas 4 anos, sem que tenha havido qualquer derrapagem inflacionista  mostra claramente que a monetarização é algo que pode ser perfeitamente desejável,  desde que situada em proporções duplas daquelas que tu preconizavas à quatro anos.  Bem visto!

Assinala-se nos comentários ao texto de Laurent Pinsolle:

No seu blog,  Jacques Sapir escreve :
O fenómeno que se está actualmente a desenvolver na Grécia não é único nem “particular” a este país. O que se vê agora é, na verdade,  um processo de fragmentação do espaço monetário, como se uma parte da população e das empresas gregas  estivessem já fora do Euro. A lógica desta situação é bem conhecida. A Grécia estará numa situação de incumprimento, provavelmente na Primavera de 2013, e irá  sair do Euro para ser capaz de reunificar  o seu  espaço monetário. Este foi o ponto de partida, um novo ponto de partida para a Rússia em 1998. Este será o início da renovação para a Grécia.

Leçons de la Russie pour la Grèce: le retour au troc, ses raisons, ses logiques, et ses conséquences

Recordemos :

Sexta-feira, 2 de Novembro de  2012 :

No entanto, o nível da dívida grega é insustentável e o pressuposto para se chegar a uma taxa de dívida de 120% do PIB em 2020 não parece viável. No seu projecto de orçamento, o governo considera o nível de endividamento em 189% para 2013 e 220,4% para 2016.
http://www.lemonde.fr/economie/article/2012/11/02/la-cour-des-comptes-grecque-juge-anticonstitutionnelles-des-coupes-dans-les-retraites_1784785_3234.html
Dívida pública da Grécia   :

2012 : dívida pública de 175,6 % du PIB, segundo a previsão do governo grego . A dívida aumenta,  aumenta ainda,  aumenta sempre   enquanto que o primeiro incumprimento da Grécia terá limpo  107 mil milhões de euros de dívidas.

2013 : dívida pública grega  de 189,1 % do  PIB, segundo a estimativa do governo grego .

2015 : dívida pública grega  de 207,7 % do PIB, segundo a estimativa do governo grego.

2016 : dívida pública da Grécia de 220,4 % do  PIB, segundo a estimativa do governo grego.

Laurent Pinsolle, Quand le FMI critique les politiques d’austérité. Novembro de 2012. Texto disponível no seu site, em: http://www.gaullistelibre.com
http://www.gaullistelibre.com/2012/11/quand-le-fmi-critique-les-politiques.html
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