Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Para quando as verdadeiras medidas contra o desemprego
Laurent Pinsolle
Militante no partido Debout la republique, dirigido por Nicolas Dupont-Aignan
LAURENT PINSOLLE insurge-se contra o governo que, na sua opinião, olha para o outro lado quando os números do desemprego não deixam de aumentar …
(Philippe Séguin)
Na semana passada, as últimas estatísticas de desemprego apontaram a triste realidade do mercado de emprego em França: 45 000 desempregados a mais na categoria A e 71 000 a mais se contamos também as categorias B e C. Uma perda recorde como a de 1997 deverá assim ser ultrapassada em 2013…
UM TALHO SOCIAL
O registo recorde para o número de desempregados (categoria A) verificou-se no início de Janeiro de 1997, depois do plano de austeridade (já) decidido por Alain Juppé e por Jacques Chirac, no Outono de 1995, em contradição com o discurso da campanha presidencial. Na época, identificaram-se 3 milhões e 205 mil desempregados. Estamos hoje perante 3 milhões e 103 mil desempregados. Dado o ritmo de aumento do desemprego, hoje, esta triste recorde deve ser ultrapassado no final de Fevereiro de 2013 com os valores de Janeiro desse ano.
Pior, este valor abrange uma parte da realidade pois que, se acrescentamos as categorias B e C, atinge-se o valor colossal de 4,587 milhões de desempregados, ou seja, cerca de 15% da população. Com o plano de austeridade, a marca dos 3,5 milhões de desempregados na categoria A (e 5 milhões com as categorias B e C) deverá ser ultrapassado no próximo ano apesar de algumas pequenas medidas governamentais. O recorde de 11,2% na taxa de desemprego deve também ser batido.
Mas por trás dessas frias estatísticas, devemos igualmente pensar em todas as tragédias humanas causadas pelo subemprego. O número de vidas destroçadas pela impossibilidade de encontrar trabalho. Porque deve-se ser claro, a grande maioria das pessoas que hoje estão desempregadas está à procura de trabalho mas não o encontra porque os nossos líderes não fazem desse objectivo a sua prioridade. No entanto, o pleno emprego deve ser a prioridade dos governos, o objectivo que deve estar acima de todos os outros porque ele é um cimento da sociedade.
A passividade dos nossos dirigentes
Infelizmente, os nossos dirigentes, incluindo os “socialistas” decretaram de uma outra maneira. Pierre Moscovici parece muito mais preocupado com a redução dos défices públicos, com a opinião dos mercados e com a competitividade do nosso país enquanto que a redução do desemprego parece ter ficado nas mãos da mão invisível do mercado. Mario Draghi reconhece que os planos de austeridade terão um impacto negativo sobre a actividade (e, portanto, sobre o desemprego), mas para ele, não há nenhuma outra possibilidade.
No entanto, quando se trata de encontrar soluções fortes e originais para ajudar os bancos ou para salvar o seu bezerro de ouro, o euro, aí, estão literalmente prontos a tudo, como o reconheceu o Presidente do Banco Central Europeu. Quando os bancos não têm liquidez, o BCE cria a bagatela de 1000 milhares de milhões de euros para os refinanciar, sem a menor consideração. Por outro lado, o mesmo BCE coloca condições drásticas para a sua ajuda (e a conta-gotas) aos respectivos governos.
Em 1993, Philippe Séguin dizia que “a preocupação do emprego permanece em segundo plano nas escolhas que são feitas, relegada que ela é para depois da defesa da moeda, para depois da redução dos défices públicos, do produtivismo e da promoção da livre-troca. Na realidade, eu peso as minhas palavras, vivemos desde há muito tempo um verdadeiro Munique social “. O governo socialista cai nas mesmas deficiências que os governos que o antecederam. Ao semear a austeridade, o que ele vai conseguir será aumentar ainda mais o desemprego, como o disse Nicolas Dupont-Aignan num comunicado.
Philippe Séguin estava certo em 1993. Mas o PS e a UMP não progrediram nem um iota que seja na sua maneira de verem as coisas. E isso não é porque faltem soluções: a depreciação da moda, plano de estímulo à economia financiado pela monetização, o proteccionismo… Mas o politicamente correcto passa à frente da vida de milhões de desempregados.


