
Não sei se é dor se alegria
O que sinto
Quando abro ao sol as portas de Abril.
Não sei se é dor
Tristeza ou alegria
Aquilo que sinto neste dia
Em que Abril faz tantos anos
De saudade e nostalgia.
Anos de luminoso tremor
Corações ao alto
Quadros verdes de sonho e raiva
De sol e chuva em celeste azul
Luzindo nos olhos de uma gaivota.
Branca gaivota de penas mansas
Voando solitária dentro de mim
À volta de um cravo vermelho
Que me ficou dentro do peito.
Abro as janelas a medo
Neste areal de escuro céu
Contra o mundo, a idade e o cansaço
E não sei se é vida ou amargura
A estreiteza deste espaço.
Sei que um rio de negras águas
Cavalga as margens do meu ser
Por entre as fendas da secura
E de novo afoga a democracia
às sangrentas mãos da ditadura.
Ilustração – Quadro de Adão Cruz
