25 DE ABRIL – por Adão Cruz

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Não sei se é dor se alegria

O que sinto

Quando abro ao sol as portas de Abril.

Não sei se é dor

Tristeza ou alegria

Aquilo que sinto neste dia

Em que Abril faz tantos anos

De saudade e nostalgia.

Anos de luminoso tremor

Corações ao alto

Quadros verdes de sonho e raiva

De sol e chuva em celeste azul

Luzindo nos olhos de uma gaivota.

Branca gaivota de penas mansas

Voando solitária dentro de mim

À volta de um cravo vermelho

Que me ficou dentro do peito.

Abro as janelas a medo

Neste areal de escuro céu

Contra o mundo, a idade e o cansaço

E não sei se é vida ou amargura

A estreiteza deste espaço.

Sei que um rio de negras águas

Cavalga as margens do meu ser

Por entre as fendas da secura

E de novo afoga a democracia

às sangrentas mãos da ditadura.

Ilustração – Quadro de Adão Cruz

1 Comment

  1. Meu Caro Adão
    Como sabes, a tua pintura espantou-me e obrigou-me, quando a conheci, e continua a obrigar-me à reflexão, necessidade esta, a da reflexão, que a tua poesia acentua.
    Tenho para mim, e nem todos os meus amigos concordam, que temos um governo para-fascista, mas sinto que o teu poema vem acentuar em mim esta opinião e, ao mesmo tempo, não deixo de pensar que só da nossa acção dependerá não tornar possível a concretização do que o teu poema antecipa mas não deseja

    «Sei que um rio de negras águas

    Cavalga as margens do meu ser

    Por entre as fendas da secura

    E de novo afoga a democracia

    às sangrentas mãos da ditadura.»

    Recebe o abraço solidário do
    António

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