E lá veio o rapazinho novamente para cima de nós. Decididamente, não dá tréguas. Quer mesmo acabar connosco. Será que ele atira uma moeda ao ar, tal como o vilão do filme, antes de decidir o nosso destino: cara ou coroa?
Bem, ele escolhe sempre os mesmos para atacar. Os funcionários públicos, e os reformados, aposentados e pensionistas. É sempre nestes em quem ele bate primeiro. Obviamente, são o alvo mais fácil. O resto vem por arrastamento. A gente come menos, compra menos, e o resto abre falência. E ele (mais o auxiliar da voz arrastada) ainda fica zangado. Precisa de dinheiro para os swaps, mas tem de guardar algum para os desempregados. Pelo menos para já, não pode deixar que morram todos à fome, nem mandá-los aos molhos para o estrangeiro.
Resumindo, primeiro os mais vulneráveis, e, a seguir, depois de os enfraquecer, quem tem idade e força para trabalhar. Este homem não nos quer deixar chegar a velhos. Os velhos comem, e não há dinheiro para eles. Nem luxos como ter casa, medicamentos, etc. Todos os dias recebemos subentendidos a este respeito. Só falta dizerem-nos assim. Por cada ano que vives a mais, aumentam-te os impostos.
Emigrar é muito complicado em qualquer idade, quanto mais para idosos. Por isso vamos ter de ficar e resistir. É que este problema interessa a novos e velhos. Temos de convencer os novos a não emigrarem. Porque um país que não trata bem os seus velhos não tem futuro. Os novos sabem que hão de ser velhos um dia. E sentir-se-ão muito mais em segurança sabendo, entre outras coisas, que o dinheiro que pagam de impostos ou descontam para a segurança social não é para tapar os buracos dos activos tóxicos, jogar na bolsa ou comprar submarinos. Sem falar nas rendas da electricidade ou das auto-estradas ou não circula ninguém.


