PARTE IV
(CONCLUSÃO)
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Sobre a Itália
Agora este resultado * é * uma notícia. Não por causa das suas más notícias, mas porque é uma notícia inesperada. A Itália, esperava-se, estaria a sair da recessão neste trimestre. Agora pode muito bem fazê-lo somente no próximo trimestre, mas em termos de taxa de variação do PIB tratar-se-á realmente de uma recuperação económica? E cuidado com o elemento de se estar perante dívida crescente, acima dos 133% do PIB quando era de 127% em 2012, ou seja, com políticas de austeridade houve um aumento de cerca de 6% do PIB em endividamento num só ano.
“A crise económica da Itália, estende-se até ao terceiro trimestre, disse o Director do Serviço Nacional de Estatísticas, na terça-feira, em que de forma arrojada as previsões do Tesouro falam já que se está a atingir a mais longa recessão do pós-guerra.
Confirmando que a Itália permanece o país retardatário entre os principais países da zona euro na semana em que a Espanha considera que a sua própria recessão acabou, Antonio Golini, Director da Istat, disse no Parlamento que o PIB da Itália caiu numa “limitada” quantidade no trimestre de Julho a Setembro, mas era esperado mostrar uma recuperação “fraca” nos últimos três meses.”
Antonio Golini não apresentou números. O Istat publicará as suas estimativas do terceiro trimestre no dia 14 de Novembro.
O prognóstico sombrio, que se seguiu depois de uma inesperadamente forte queda na produção industrial em Agosto, confirma que a terceira maior economia da zona euro não conseguiu melhorar a sua competitividade, apesar de dois anos de políticas de austeridade, enquanto a instabilidade persistente ao redor da frágil coligação de esquerda-direita de Enrico Letta continua a minar a confiança do mercado interna.
Os números agora conhecidos, mais fracos que os esperados, também colocam em destaque as dificuldades do governo em manter o seu défice abaixo dos 3 por cento este ano, depois de ter subestimando consistentemente a profundidade da recessão que começou no segundo semestre de 2011.
Fabrizio Saccomanni, Ministro das finanças, disse aos repórteres em 20 de Setembro que esperava não haver crescimento no terceiro trimestre, mas que o crescimento retornaria no último trimestre e que 2013 como um todo resultaria numa contracção de 1,7 por cento do PIB.
Ao enfrentar uma audição parlamentar na terça-feira, Saccomanni baixou a sua estimativa do PIB de 2013 para menos 1,8 por cento, mas levantou a sua estimativa para 2014 e agora com um crescimento de 1,1 por cento em vez de um anterior 1.0 por cento. O Banco da Itália prevê um crescimento de 0,7 por cento para o próximo ano.
Saccomanni, ao apresentar o projecto de orçamento de 2014, salientou a importância da estabilidade política na manutenção da confiança dos mercados sobre a capacidade da Itália honrar o serviço da sua dívida pública, e em que este afirmou que se esperava que a dívida pública relativamente ao PIB viesse a aumentar para 132.9 por cento do PIB este ano contra 127 por cento em 2012. Somente em juros estes estavam já a custar a cada italiano 1.400 € por ano, observou, após 20 anos de “estagnação” que exigiriam medidas para a sua correcção. “
Mas o projecto de orçamento do governo tem sido amplamente criticado pela sua falta de ambição quanto a cortes nas despesas públicas e em reduzir impostos [não há engano de tradução!]
Sublinhando a profundidade da recessão de duplo V, ou seja em W, disse que o número de italianos considerados como a viver na pobreza duplicou para 4,8 milhões entre 2007 e 2012. A produção industrial, por seu lado, é inferior em cerca de 25 por cento ao valor do pico atingido antes da recessão.
Uma imagem de Itália:
3 Holanda
A Holanda continua a lutar sob o peso da correcção do seu boom imobiliário. Como em alguns dos outros países com problemas – Espanha, Irlanda – os bancos holandeses parecem ter assentado a sua prática de forma excessiva no financiamento por grosso, que agora encontram dificuldades em renovar. Como resultado, a economia entrou numa situação de comportamento em triplo V.
A divida hipotecária na Holanda mais do que duplicou entre 2000 e 2008, com pelo meio incentivos fiscais liberais e está entre as maiores do mundo com cerca de 651 mil milhões de euros, ou seja, 108% do produto interno bruto a partir do final do ano passado. Com uma descida de 20% nos preços, desde o seu valor de pico de 2008, com esta descida deixou-se cerca de um terço dos proprietários das suas casas com uma hipoteca, a dívida, que excede o valor da sua própria casa.
Isso representa um risco para os bancos do país, que actualmente contam com os mercados de capitais, onde há uma diferença de cerca de 450 mil milhões de euros entre empréstimos e depósitos. Desde 2008, os holandeses também estão a ser servidos por um pool de credores menos competitivos após os bancos terem tentado cortar na alavancagem e limitar a concessão de empréstimos, em parte para satisfazer as exigências do regulador. Os três maiores bancos nacionais, ING Groep NV, ABN Amro Group NV e Rabobank Groep, controlam e 84 por cento do mercado holandês das hipotecas.
Os consumidores nos Países Baixos também tiveram entre as maiores quedas de confiança na Europa como no país e, na sua terceira recessão em cinco anos, estão a passar por uma reorganização do seu mercado da habitação visando cobrir os riscos das dívidas excessivas das famílias, dos bancos e da economia.
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