AINDA SOBRE A MANIFESTAÇÃO CONTRA A TROIKA, CONTRA AS SUAS MENTIRAS – SOBRE ESPANHA, com CITAÇÕES DE EDWARD HUGH.

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Parte II

(continuação)

Agora, isso não quer dizer que as exportações não se tenham comportado bem este ano, embora eu acho que será bem difícil de os ver viver até atingirem os 7,6% anuais como foram as estimativas do FMI no princípio deste mês. Mas, igualmente, a questão-chave agora é saber se a expansão vai continuar em Q4. O meu melhor palpite neste momento é incerto e ficar estacionário seria o resultado mais provável (ou 0% de variação). De qualquer forma para a semana PMI [que nos indica a evolução da carteira de encomendas] deve dizer-nos muito sobre o assunto.

troika - I

Graficamente, a evolução do PIB em termos anuais e trimestrais.

troika - PIB

Aqui está uma outra peça, uma notícia de hoje – o IPC (índice de Preços no Consumidor) de Espanha entrou no território de deflação em Outubro, de acordo com a estimativa de hoje apresentada pelo INE. Este registou uma descida de 0,1% em termos anuais. O IHPC europeu harmonizado registou um acréscimo de 0,1% anualmente. A tendência é clara neste ponto, penso eu, os preços em Espanha poderão facilmente cair em 2014.

troika - preços no consumidorO ministro da economia da Espanha Luis de Guindos anda a defender que as variações de preços negativa recente em Espanha são um fenómeno temporário, causado por um episódio estatístico, um “blip” – o impacto do aumento do IVA em Setembro de 2012 não entrou nos dados considerados. Na verdade, isto é estar a colocar as coisas de trás para a frente. A deflação não apareceu mais cedo devido a uma série de aumentos de IVA e de aumento dos preços administrados, como a tarifa da electricidade!

Na verdade a economia da Espanha começou a mostrar a evolução negativa nos preços em meados de 2009, mas a inflação foi reintroduzida, através de uma série de aumentos de preços administrativo e em particular o aumento da taxa de IVA de junho de 2010. A inflação então tem sido perpetuada porque muitos salários e pensões, têm estado ligadas à inflação. Na verdade os salários continuaram a aumentar a um ritmo mais rápido do que na Alemanha até ao final de 2010. A grande redução de custos laborais unitários foi quase exclusivamente o resultado do despedimento de trabalhadores.

No entanto, a inflação tem estado a reduzir-se novamente até que se deu o aumento de 3% do IVA em Setembro de 2012. Desde 2009 que houve dois acontecimentos importantes que tendem a produzir um ambiente mais deflacionista. As pensões foram desindexadas da inflação através da reforma das pensões deste ano, e os salários foram deles dissociados através da reforma do mercado de trabalho de 2012. Os salários em Espanha agora estão em queda e continuarão a cair. O consumo doméstico continua a ser fraco e apresenta uma tendência decrescente.

(continua)

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Para ver a Parte I deste trabalho de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/11/02/ainda-sobre-a-manifestacao-contra-a-troika-contra-as-suas-mentiras-sobre-espanha-com-citacoes-de-edward-hugh/

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