Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 94-95; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – págs. 108-109)
Música: Gonçalo Paredes, arr. Carlos Paredes (“Valsa”, in LP “Movimento Perpétuo”, Columbia/VC, 1971, reed. EMI-VC, 1988)
Intérprete: Mísia* (in CD “Canto”, Warner Jazz France, 2003)
Agora esta valsa na lenta espiral do baile de sombras em que às vezes danças quando a noite cai e é de pedra e cal no espelho vazio das minhas lembranças,
agora esta valsa no avesso dos dias, na melancolia das suas oitavas, repete de leve nas horas sombrias as loucas palavras que me murmuravas
agora esta valsa quando te atravessas nesta solidão envolta num xaile lembra-me uma a uma as tuas promessas na luz apagada deste fim de baile
qualquer valsa agora são passos em volta, na vida sem rumo o adeus é cruel, galopam as nuvens deixadas à solta, ficou-me o deserto, ainda sabe a mel
vejo o teu vulto e é muito tarde nesta distância sem regresso talvez a vida me acobarde se à tua ausência eu me confesso
nem saberei o que me espera nem que rosário de amargura nem se é inverno a primavera nem se este amor se fez loucura
[instrumental]
agora esta valsa na lenta espiral do baile de sombras em que às vezes danças quando a noite cai e é de pedra e cal no espelho vazio das minhas lembranças,
qualquer valsa agora são passos em volta, na vida sem rumo o adeus é cruel, galopam as nuvens deixadas à solta, ficou-me o deserto, ainda sabe a mel
[instrumental]
nem saberei o que me espera nem que rosário de amargura nem se é inverno a primavera nem se este amor se fez loucura
Tim-Tim por Tim-Tim
Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 86-87; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – págs. 102-103); Música: Carlos Paredes (“Canção”, in LP “Movimento Perpétuo”, Columbia/VC, 1971, reed. EMI-VC, 1988); Intérprete: Mísia* (in CD “Canto”, Warner Jazz France, 2003)
Do rio ao mar verde cor branca espuma vã
não vás cuidar minha flor na luz de amanhã
hoje é sem par e o sol-pôr tem na lua a irmã
vai devagar meu amor feito de hortelã
como dizer destas nuvens na sede?
como entender o princípio e o fim?
nesta espiral do viver dentro da canção
há um sinal a bater só no coração
sangue fatal a correr para a solidão
e é musical a doer entre o sim e o não
como dizer entre o não e o sim?
como entender o princípio e o fim postos dentro de mim?
postos dentro de mim e tim-tim por tim-tim?
do rio ao mar verde cor branca espuma vã
não vás cuidar minha flor na luz de amanhã
hoje é sem par e o sol-pôr tem na lua a irmã
vai devagar meu amor feito de hortelã
[instrumental]
hoje é sem par e o sol-pôr tem na lua a irmã
vai devagar meu amor feito de hortelã
* Mísia – voz; Manuel Rocha – violino; José Manuel Neto – guitarra portuguesa; Carlos Manuel Proença – viola de fado; Quinteto de cordas “Camerata de Bourgogne”:; Jean-François Corvaisier – 1.º violino; Leurent Lagarde – violoncelo; Alain Pelissier – violeta; Valérie Pelissier – violeta; Pierre Sylvan – contrabaixo; Arranjos e direcção musical – Hanri Agnel; Direcção do projecto – Pascal Bussy / Warner Jazz France
Produção executiva – Igor Szabason / IS Music, Assistente – Laurence Gilles; Gravado no Studio Gam, Waimes (Bélgica), em Junho de 2003
Engenheiro de som – Silvio Soave; Misturas – Silvio Soave, no CATI Audio, Roman (França)